Reprodução/Facebook
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Na quarentena do Domingo de Ramos, padres sobrevoam cidades para abençoar fiéis

Em tempos de pandemia de coronavírus, voar foi a alternativa encontrada por religiosos para celebrar com antecedência a data católica e benzer as folhagens colocadas nas portas e janelas por moradores do interior de São Paulo

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2020 | 16h36

BRASÍLIA - “Graças e louvores se deem a todo momento”, pediu o padre Luiz Eduardo Monteiro Fontana antes de embarcar na manhã deste sábado, 4, em um avião de seis lugares para abençoar seu rebanho. Em tempos de pandemia de coronavírus, voar foi a alternativa encontrada para celebrar com antecedência o Domingo de Ramos e benzer as folhagens colocadas pelos fiéis nas portas e janelas.

“Como diz a moçada, é o que temos para o momento”, disse Fontana após rezar por mais de uma hora sobre as casas de Pederneiras, Bauru, Boraceia, Arealva e Iacanga, região com um total de 406 mil habitantes, no interior de São Paulo.

No calendário católico, é comemorado neste domingo, 5, evento narrado na Bíblia sobre a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. É um dia de distribuição de folhas para os fiéis reunidos nas igrejas e em procissões.

Diante do avanço da covid-19 no Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pediu uma celebração diferente este ano. “Cada um e cada família, em suas casas, são chamados a celebrar o próximo domingo com fé e esperança”, disse a CNBB, em nota distribuída na sexta-feira.

Além de pedir para os católicos acompanharem eventos pela televisão e redes sociais, a conferência também sugeriu colocar ramos nas portas e janelas, como simbolismo.

Fontana conta que, apesar da data, o evento não foi planejado com antecedência. “Foi um presente de Deus que chegou até mim”, disse. A iniciativa foi de amigos, donos das aeronaves, que sugeriram o sobrevoo. No entanto, não era possível realizar o voo no domingo, por isso foi feito no sábado.

O pároco embarcou na missão na companhia dos padres Anderson Luís Moreira e Ednei Antonio Braga Rodrigues, todos das igrejas de Pederneiras. Levaram com eles símbolos católicos, como a imagem dos padroeiros da cidade, e um globo terrestre de plástico. “Estamos abençoando a todos. Se a doença não tem fronteiras, a cura também não”, disse Fontana. 

De máscara, fones de ouvido e segurando a imagem do Santíssimo, os padres, olhando pelas janelas do avião, rezaram pelos céus das cidades pedindo proteção aos padroeiros, principalmente contra o avanço do coronavírus. “Foi uma experiência nova e agradeço muito às pessoas que a proporcionaram”, disse. “O alto tem um significado muito bonito, a divindade vem de cima”.

 

A paróquia do padre Fontana fechou as portas há 15 dias. Desde então, ele celebra missas diariamente pela internet. O voo da benção também foi transmitido pelas redes, em uma live no Facebook da igreja. Foram mais de 30 mil visualizações.

Nas cidades por onde eles passaram, a notícia da benção que vinha dos céus correu pelos grupos de WhatsApp. Católicos e até não praticantes da religião colocaram os ramos nas janelas à espera do avião da fé.

Além da aeronave que transportou os padres, outro avião de um modelo agrícola aspergiu 1,4 mil litros de água benta, apenas na cidade de Pederneiras. Não havia capacidade suficiente para chegar aos outros municípios.

Antes de aceitar realizar o evento, Fontana pediu permissão ao bispo Dom Rubens Sevilha, que consentiu. Para o padre, a alternativa foi muito positiva em um momento em que a humanidade está precisando de alento. “Neste momento de confinamento, sinto que as pessoas estão muito sedentas por Deus”, disse. 

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