Getty Images
Getty Images
Conteúdo Patrocinado

Na saúde, primeiros meses de 2021 serão difíceis

Diante da indiferença aos riscos de contaminação, o prognóstico é de aumento progressivo dos casos e lotação dos hospitais

Media Lab Estadão, O Estado de S.Paulo
Conteúdo de responsabilidade do anunciante

28 de dezembro de 2020 | 14h18

O Brasil vive uma situação extremamente delicada em relação à pandemia nesta última quinzena do ano. Mesmo com a média móvel de novos casos de covid-19 se aproximando de 50 mil por dia, maior patamar até agora, o nível de isolamento social despencou por causa da indiferença de boa parte da população em relação aos riscos de aglomerações nas férias de verão e festas de fim de ano.

De acordo com a plataforma In Loco, que compila dados de GPS dos celulares, o porcentual da população que mantém as restrições de movimentação caiu de 48,3% para 39,1% na semana entre 13 e 19 de dezembro, o que representa a menor adesão desde o início da pandemia. “Cerca de 60% das pessoas que transmitem o coronavírus são assintomáticas, por isso encontros sociais e aglomerações precisam ser evitados”, adverte Cristina Megid, diretora da Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo.

Enquanto o número de mortos pela covid-19 no País se aproxima de 200 mil – ou seja, um a cada mil brasileiros –, a proporção de casos confirmados é de um para cada 30 brasileiros. Praticamente todo mundo já teve alguém no circuito mais próximo diagnosticado com a doença.

Recorde de casos

A segunda onda da covid-19 no Brasil está claramente configurada pela evolução do gráfico dos casos. Depois de crescer gradualmente entre março e agosto, a contaminação foi caindo até o começo de novembro. Daí em diante, os números voltaram a crescer – e rapidamente. Bastaram seis semanas para que toda a redução obtida ao longo das 15 semanas anteriores se perdesse.

O número de mortes acompanhou esse movimento, ainda que numa proporção menor na segunda onda. Na semana entre 19 e 25 de julho, auge da primeira onda, foram 319.389 casos e 7.714 mortes, o maior número de vidas perdidas numa única semana até agora no País. Já a semana entre 13 e 19 de dezembro bateu o recorde de casos, 320.581, mas teve menos mortes, 5.082. Assim, na comparação entre as duas semanas, o índice de letalidade caiu de 2,4% para 1,6%. Tudo aponta, no entanto, para um crescimento significativo da contaminação nas próximas semanas – e, por consequência, do número de mortes.

A situação dos Estados Unidos, recordista de casos e de mortes, é um exemplo que deveria ser levado a sério pelos brasileiros como advertência do que pode estar vindo por aí. Desde o início da pandemia, o Brasil vem seguindo o desenho geral da evolução dos números dos Estados Unidos, com um mês de atraso – que é justamente a diferença entre a identificação do primeiro caso da doença em cada país (21 de janeiro nos Estados Unidos e 25 de fevereiro no Brasil).

Nos Estados Unidos, a pior semana da primeira onda, em julho, teve a média de 67 mil casos diários. Agora, na segunda onda, a força de disseminação do vírus foi espantosamente multiplicada. O país chegou ao patamar de 100 mil casos diários em novembro e de 200 mil casos no início de dezembro – e o gráfico continua apontando para o alto. 

Otimismo com 2021

Mesmo com todos os dados preocupantes do momento, há um clima de otimismo no ar por causa da proximidade da vacinação. O instituto de pesquisa Opinion Box acaba de ouvir mais de 2 mil brasileiros sobre as perspectivas para 2021 e 65% deles disseram acreditar que será um ano melhor, ante 21% que imaginam um ano igual e apenas 14% que preveem um ano pior.

Dos que acham que será pior, 60% apontam o agravamento da crise econômica como principal motivo. Dos que acham que será melhor, 65% consideram que a principal razão para isso será a vacinação contra a covid-19.

O otimismo aflora quando se pensa no ano como um todo, mas não nos próximos meses. Há um grande receio em relação ao período até que a vacinação comece a fazer diferença nos índices de contaminação. Dos entrevistados, 71% admitiram estar com medo da segunda onda e 74% acham que as cidades deveriam retomar medidas mais drásticas de restrição à circulação de pessoas. Apenas 25% acham que o pior da pandemia já passou.

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Cerca de 60% das pessoas que transmitem o coronavírus são assintomáticas
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Cristina Megid, Diretora da Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Num primeiro momento, a vacina não estará disponível para todos e precisamos ficar atentos
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Jurandi Frutuoso, Secretário executivo do Conass

Vacina não é milagre

Diante do cenário de forte desrespeito aos princípios de isolamento social no Brasil, a única solução para amenizar o quadro é a vacinação. Não será, no entanto, um processo rápido, da noite para o dia. A tendência natural é de que o número de casos vá caindo à medida que mais pessoas sejam vacinadas, mas a população precisará continuar com todos os protocolos de prevenção ao longo do processo.

“Num primeiro momento, a vacina não estará disponível para todos e precisamos ficar atentos porque as infecções voltaram a ganhar força em todo o País”, alerta Jurandi Frutuoso, secretário executivo do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Manter os cuidados mesmo com a vacinação será fundamental porque, em primeiro lugar, há um prazo de algumas semanas para que a imunização faça efeito. Outro motivo é que as vacinas não têm índice de 100% de eficácia. Uma parcela das pessoas continuará suscetível ao vírus mesmo tendo recebido a vacina – ainda que, espera-se, os efeitos da doença sejam amenizados nesses casos.

A segunda onda da covid-19 traz grandes preocupações aos gestores de saúde, pela combinação entre a alta velocidade de evolução dos números, a queda da adesão da população à ideia de isolamento social e algumas diferenças em relação à estratégia de enfrentamento da primeira onda.

Uma dessas diferenças é que a maior parte dos hospitais de campanha montados na primeira fase da pandemia foi desativada. O número de leitos criados especialmente para o atendimento de casos de covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil está, hoje, na casa dos 7 mil – em julho, chegou a 10 mil. Com isso, o sistema público de saúde corre maior risco de entrar em colapso nos primeiros meses de 2021 do que na fase mais aguda da primeira onda.

 A rede privada também entrará no novo ano sob pressão, como comprovam os números de dois dos mais respeitados hospitais do País, ambos sediados em São Paulo. Tanto o Einstein quanto o Sírio-Libanês estão com ocupação acima de 90% dos seus leitos totais, em decorrência principalmente da procura por pacientes contaminados pela covid-19.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.