NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Na web, jovens soropositivos quebram mitos sobre o HIV e a aids

Criadores de conteúdo expõem nas redes sociais e no YouTube rotina sem tabus e não escondem desafios e preconceitos

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2019 | 05h00

A experiência de receber o diagnóstico e viver com o HIV tem sido cada vez mais discutida nas redes sociais e em canais do YouTube. Criadas por jovens, as páginas abordam o tema sem julgamentos e tabus, mas não escondem os desafios do tratamento e os preconceitos da sociedade.

Criador de conteúdo sobre HIV, Lucas Raniel, de 27 anos, fez o primeiro vídeo sobre o tema há dois anos no Facebook. Com a repercussão, lançou um canal no YouTube chamado Falo Memo. Agora, foca suas postagens no Instagram. “As pessoas não têm consciência de como funcionam as novas tecnologias para tratamento e prevenção, e não têm acesso a informações corretas.”

Ele diz que utiliza uma linguagem clara para dialogar com seus seguidores, a maioria jovens de 15 a 34 anos e do sexo masculino.

“Eu me pego muito nas terminologias para humanizar a fala do HIV e da aids e reduzir o estigma e o preconceito. Não sou portador do vírus, porto meu CPF, RG. Sou uma pessoa que vive com o HIV, não convivo. Fui crescendo nas redes sociais por causa da minha fala sem estigma e sem terrorismo.”

Na avaliação de Raniel, o contágio na população jovem ocorre por múltiplos fatores, que vão desde a desinformação até situações de vulnerabilidade, como pessoas que fazem sexo sem proteção após o consumo excessivo de álcool. No caso de Raniel, o contato com o vírus ocorreu há seis anos, quando bebeu em uma festa e foi para a casa de um rapaz que conheceu em um aplicativo de relacionamentos.

“Eu apaguei lá. Fui abusado. Foi chocante.”

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Não sou portador do vírus, porto meu CPF, RG. Sou uma pessoa que vive com o HIV, não convivo
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Lucas Raniel, youtuber

Veja vídeo do canal Falo Memo, de Lucas Raniel

Passo a passo

Mais de 39 mil pessoas acompanham o dia a dia do ator e youtuber Gabriel Comicholi, de 24 anos. No HDiário, ele compartilha informações sobre o vírus desde que recebeu o resultado positivo do teste, há três anos.

“O canal acompanha minha trajetória no tratamento. Teve a primeira vez que tomei o medicamento e quando contei para a minha mãe. A ideia é ser um diário.” Além do YouTube, ele usa outras plataformas para falar sobre o tema, como Instagram e Facebook. “Tem um público diferente para cada.” 

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O canal acompanha minha trajetória no tratamento. Teve a primeira vez que tomei o medicamento e quando contei para a minha mãe
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Gabriel Comicholi, youtuber

Veja vídeo do canal HDiário, de Gabriel Comicholi

Estrategista de marketing digital e criador de conteúdo, João Geraldo Netto, de 37 anos, começou a produzir conteúdos sobre a vida com o HIV em 2008, mas nada profissional.

“Vi que tinha retorno e isso foi me deixando empolgado em fazer com temas, quadros, chamando pessoas para entrevistar.”

Há três anos, ele criou o canal Super Indetectável.

“É uma estratégia de comunicação em saúde que criei para atingir mais pessoas. As pessoas não se inscreviam quando tinha 'HIV' (no nome). O HIV é tão estigmatizado que as pessoas não queriam estar associadas ao tema.” 

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As pessoas não se inscreviam quando tinha 'HIV' (no nome). O HIV é tão estigmatizado que as pessoas não queriam estar associadas ao tema
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João Geraldo Netto, youtuber

Veja vídeo do canal Super Indetectável, de João Geraldo Netto

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