Priscilla Du Preez/Unsplash.com
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Não deixe que a timidez atrapalhe seu dia a dia. Veja como

A sensação aparece de formas e intensidades diferentes para cada pessoa, mas existem técnicas que ajudam a superar esse sentimento

Ana Lourenço, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2022 | 05h00

Imagine seu primeiro dia de trabalho em um novo escritório. Você olha em volta e a maioria, que já se conhece, está conversando ou tomando café durante o tempo livre. Seu primeiro instinto é sentar-se logo em sua mesa e mal olhar para os outros ou tentar se apresentar aos novos colegas? Se você optou pela primeira opção, há grandes chances de você ser uma pessoa tímida.

“A timidez é um desconforto que a pessoa acaba sentindo na hora de socializar ou na hora de se expor. Cada um apresenta essa sensação de uma maneira diferente na vida e em uma intensidade diferente também. Então, há pessoas que sentem esse desconforto na hora de fazer uma apresentação, na hora de falar em público e outras que têm dificuldades para fazer amigos, paquerar”, exemplifica a psicóloga Karina Orso. 

De acordo com ela, ser tímido não é sinônimo de ser quieto e muito menos tem a ver com não se posicionar. Diz respeito ao incômodo que a pessoa sente ao fazer isso. “Quando essa esquiva é muito forte, a pessoa vai ter dificuldade de desenvolver as próprias habilidades de comunicação. E depois de um tempo em que evita muito a situação, ela pode até desenvolver um tipo de transtorno de ansiedade social. Que é muito parecido com a timidez, mas numa intensidade muito maior”, alerta.

No entanto, existem algumas técnicas que podem ajudar os tímidos a não sentirem tanta ansiedade e não terem, assim, sua vida profissional e pessoal tão afetada. Confira.

Conheça a origem

Há pessoas que admitem serem tímidas desde sempre e outras que se descobrem assim por causa de uma crítica ou de uma sensação ruim após algum tipo de exposição – seja apresentar um projeto na faculdade ou participar de um evento de trabalho. Saber de onde vem o problema pode ajudar a pessoa a não fazer comparações com o passado. 

“A timidez faz com que a pessoa fique relembrando de situações que não foram tão legais e que ela interpretara como verdade”, explica Karina.

Segundo ela, muitas vezes a pessoa pode ter falado bem e passado a mensagem desejada em um discurso ou exposição, mas ela sofre pensando que deveria ter feito diferente ou que, na próxima vez, ela não vai dar conta.

Mas pode ser também que as situações originárias não estejam relacionadas à timidez, mas sim com o receio de desagradar aos outros. Dizer “não”, por exemplo, é uma habilidade social, relacionada à assertividade. Quem é tímido não tem muito bem desenvolvida essa atitude porque sempre quer passar uma boa impressão – mas isso também pode ter a ver com dificuldade de se impor e de estabelecer limites ou por ter medo das consequências.

Metas

O primeiro passo é reconhecer o problema. É muito importante perceber como a timidez está atrapalhando a sua vida, seja profissional ou pessoal, e então se comprometer com o processo de mudança que será seguido.

A partir disso, estabeleça algumas metas. “É uma questão de você dar passos pequenos que a tirem da zona de conforto do medo desse estado em que você está paralisado. Mas que não a assustem tanto ao ponto de você travar”, explica Karina. Pense em qual área da sua vida a mudança é mais urgente: no trabalho? Na relação amorosa? Na busca por novas amizades? Reflita e escolha apenas uma para investir. 

É um grande erro quando a pessoa quer trabalhar a timidez mudando de repente, porque ela dificilmente vai atingir essas expectativas de um dia para o outro. Cada etapa que ela ultrapassar será um reforço positivo na sua autoestima e confiança. 

Busque o equilíbrio

Certamente, quem é tímido sabe que precisa se comunicar para se destacar no trabalho, para aproveitar as oportunidades e para fazer amigos.

Mas se de um lado existe uma autocobrança muito grande, de outro há a fuga de momentos que causam a timidez. Por isso, o ideal é achar o equilíbrio.

Comece apresentando algo importante para os seus amigos de confiança ou sua família. Talvez organizar a viagem em família em versão power point e expor alguns planos possam ser uma brincadeira interessante para começar a trabalhar o medo da apresentação. Ou que tal gravar vídeos sobre assuntos variados e treinar? Você pode até enviar para um colega de confiança e pedir um feedback honesto.

Oratória

Nossa comunicação não é só baseada em palavras. “O corpo não fala, ele grita”, brinca Luís Fernando Câmara, CEO e fundador da Vox2you, rede de escolas de oratória. Para ter mais confiança é interessante usar algumas técnicas básicas que podem servir como muleta para dar confiança em uma eventual apresentação. “Algo que ajuda é praticar a habilidade de usar pausas. Ela faz com que você tenha uma fala mais coloquial, mais impactante, em que você evita os vícios de linguagem. A naturalidade é muito importante em qualquer comunicação para a clareza e o entendimento”, ensina Luís Fernando. 

Também é interessante lembrar de contar uma história durante uma reunião ou uma palestra. Para isso, faça um roteiro da sua apresentação, para ganhar mais confiança, no qual não podem faltar: uma introdução, um assunto principal e uma conclusão para impactar as pessoas.

Divida o medo com os outros

Em vez de ver o outro como alguém que vai te julgar, que tal vê-lo como aliado? Não que seja fácil, mas uma estratégia que pode facilitar as interações é assumir os seus sentimentos e dividi-los. Isso diminui a ansiedade, garante que, caso tudo dê errado, você já deixou as expectativas baixas e ainda pode criar um vínculo de empatia com o outro.

A conversa vale ainda para o depois. Ou seja, caso você tenha se sentido envergonhado e tímido com alguma situação, converse com alguém de sua confiança sobre o que você sentiu e como aquilo o afetou. Isso pode fazer você perceber que aquilo que lhe dava medo não causou um impacto tão grande nos outros. E isso pode ajudar, aos poucos, a mudar a sua mentalidade para as próximas situações.

Não se compare

Como para os tímidos o medo do julgamento do outro é muito forte, a comparação é algo sempre presente. “Atinge muito a autoestima, a autoconfiança da pessoa. Ela não acredita que consegue chegar lá, fazer dar certo, e ainda se compara muito com os outros, especialmente com os mais extrovertidos”, conta a psicóloga.

Lembre-se de que cada um lida de uma forma com as situações e que capacidades e dons não são iguais. Conhecer os seus diferenciais e investir neles pode ajudar a controlar a inibição.

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