Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

‘Não discutiremos casos individuais, independente de quem’, diz secretário sobre Wajngarten

Secretário de Comunicação da Presidência da República testou positivo para coronavírus após visita aos EUA

Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 15h02

O secretário nacional de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, afirmou em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 12, que ‘não discutirá’ casos individuais de coronavírus. O secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, foi diagnosticado com a covid-19. Ele esteve esta semana nos Estados Unidos junto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Oliveira, que foi informado da condição de Wajngarten durante a entrevista, afirmou que participará de reunião com a equipe médica responsável pelo presidente para cuidar do assunto ainda na tarde desta quinta-feira. “Não vamos anunciar nada que ainda não combinamos com a equipe médica. Com a confirmação do Fábio (Wajngarten), medidas serão tomadas." Ele não antecipou quais serão essas medidas, mas disse que há um plano de contingência para todas as pessoas. “(O plano) não muda se for o presidente, se for ministro ou se for cidadão que não ocupa nenhuma função pública (contaminado com o coronavírus)”, falou.

Na coletiva, a equipe do Ministério da Saúde apresentou dados relativos ao coronavírus no Brasil. O secretário de Vigilância Sanitária começou falando que os dados da pasta não estão atualizados. O motivo, explicou, é o processo de notificação. “Os laboratórios privados notificam a secretaria estadual que, então, atualiza os dados no sistema”, disse. Na tabela apresentada, o Brasil tem 60 casos confirmados de coronavírus, 930 suspeitos e 947 descartados. Minutos antes, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta havia afirmado que há 73 casos confirmados da doença no país.

Uma das novidades anunciadas pelo secretário é a ampliação de locais aptos a realizar testes de coronavírus. Segundo Oliveira, até o dia 18 deste mês todas as unidades da federação poderão fazer o exame. O laboratórios já receberam os testes e estão sendo capacitados para realizá-los.

Sobre o avanço da doença e as providências tomadas pelo governo, Oliveira disse que estão "seguindo estritamente o planejamento”. “Nada do que está acontecendo está fora do previsto”, reforçou. Nesta sexta-feira, o ministério apresentará uma série de medidas não farmacológicas. “(Essas medidas) estimulam ações para reduzir o contato e o fluxo em determinadas condições", falou Oliveira. 

Outro assunto abordado foi o novo chamamento público do programa Mais Médicos. Dois editais foram lançados na quarta-feira em edição extra do Diário Oficial da União. A seleção será aberta na próxima segunda-feira, 16. O objetivo é a contratação de 5.811 médicos pelo período de um ano em razão do novo coronavírus. O orçamento previsto é de R$ 1,2 bilhão.

Serão priorizados profissionais com residência em Medicina de Família e Comunidade. Os médicos podem escolher até quatro municípios de atuação. O ministério informou que 44% das vagas serão destinadas a capitais e regiões metropolitanas porque esses locais concentram maior fluxo de pessoas. O processo deve ser concluído em até três semanas e a expectativa é que os médicos comecem a atuar até o dia 7 de abril. Hoje, 12.258 profissionais trabalham no Mais Médicos.

Ainda no âmbito da atenção médica, o ministério anunciou que será ampliado para 6,7 mil o número de Unidades Básicas de Saúde (UBS) que atendem em horário estendido. Hoje, 1,5 mil UBSs funcionam 12 horas por dia. Estima-se que entre 80% e 90% dos casos de coronavírus são leves e podem ser atendidos nessas unidades. O investimento previsto é de R$ 900 milhões. 

Oliveira também falou sobre a portaria que regulamenta as medidas de quarentena e isolamento, lançada na quarta-feira, 11. Ele explicou a diferença entre os dois termos. "No isolamento não vai ter ninguém na casa da pessoa dizendo 'olha, você não pode sair'. É um contrato social, de civilidade. A quarentena é um ato de restrição. É um guarda que vai monitorar a saída. Quando eu restrinjo o ir e vir das pessoas, tenho uma série de medidas a garantir: água, comida, energia...", disse.

Oliveira esclareceu que, quando um paciente é diagnosticado com coronavírus, ele deve entrar em isolamento. As pessoas que moram na mesma casa também. "Os familiares que residem no mesmo domicílio, que são contatos íntimos e prolongados, devem ficar em isolamento por 14 dias, independente de ter apresentado sintomas. Todos serão notificados", explicou.

O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, disse na coletiva que os critérios de uso de leitos de UTI podem ser alterados. "Não vamos manter em leitos de UTI pacientes que não teriam benefícios em estar neles”, disse. Cirurgias eletivas também podem sofrer alterações para não sobrecarregar o sistema e também para não expor esses pacientes a riscos desnecessários de contaminação.

Gabbardo anunciou que será publicado, na sexta-feira, 13, um edital contratando dois mil leitos de UTI para o SUS por causa do coronavírus. No fim de janeiro, o governo tinha prometido contratar mil novos leitos já pensando na doença. “Por uma provável aumento da necessidade, vamos dobrar a oferta de leitos que ficará disponível aos hospitais que estiverem atendendo coronavírus", disse.

Nesta quinta-feira, o Estado revelou que, apesar das promessas, o ministério disse ter habilitado só cem leitos até agora. João Gabbardo informou que o País tem 28 mil leitos de UTI habilitados ao SUS.

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