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Não é preciso contrair o abdômen para ter um cérebro maior

A chamada hipótese dos tecidos caros, que sugere um conflito entre o tamanho do cérebro e o tamanho do aparelho digestivo, foi contestada por pesquisadores da Universidade de Zurique

estadão.com.br,

12 de novembro de 2011 | 08h51

SÃO PAULO - A chamada hipótese dos tecidos caros, que sugere um conflito entre o tamanho do cérebro e o tamanho do aparelho digestivo, foi contestada por pesquisadores da Universidade de Zurique. Eles mostraram que os cérebros dos mamíferos têm crescido ao longo do curso da evolução sem que os órgãos digestivos ficassem menores. De acordo com os especialistas, o potencial que um animal tem de armazenar gordura geralmente anda de mãos dadas com os cérebros relativamente pequenos - exceto no caso dos seres humanos. Nós devemos o aumento da ingestão calórica, e também do cérebro, à criação de creches, uma melhor dieta e nossa capacidade de andar ereto.

 

O tecido cerebral é um grande consumidor de energia no corpo. Se uma espécie animal evolui com um cérebro maior do que seus ancestrais, a crescente necessidade de energia pode ser satisfeita por fontes adicionais de alimento ou por uma alteração em certas funções de seu organismo. O cérebro humano, no entanto, é três vezes maior que o dos animais e requer muito mais energia até do que nossos parentes mais próximos, os grandes macacos. Até agora, a teoria mais aceita para esta condição foi a de que os primeiros seres humanos foram capazes de redirecionar a energia para seus cérebros, graças a um trato digestivo reduzido. Os estudiosos de Zurique, porém, desmentiram essa ideia demonstrando que os mamíferos com cérebros relativamente grandes tendem a ter um sistema digestivo um pouco maior.

 

De acordo com os cientistas envolvidos no estudo, publicado nesta última edição da revista 'Nature', o tamanho do cérebro foi comparado à massa corporal livre de gordura. "É extremamente importante pegar um animal com depósito adiposo considerável já que, em algumas espécies, isso constitui cerca de metade da massa corporal acumulada para o outono", diz Karin Isler, um dos autores do estudo. Ainda assim, mesmo comparado com a massa magra do corpo, a tamanho do cérebro não se correlaciona negativamente com a massa de outros órgãos.

 

 

Mais gordura, cérebro menor

 

Entretanto, o armazenamento de gordura desempenha um papel fundamental na evolução do tamanho do cérebro. Os pesquisadores descobriram outra correlação bastante surpreendente: quanto mais gordura animal as espécies conseguem armazenar, menores são os cérebros. Apesar do tecido adiposo em si não utilizar muita energia, os animais gordos precisam de força para carregar o peso extra, especialmente ao subir ou correr. Esta energia é a que falta durante a expansão do cérebro em potencial. "Parece que os depósitos adiposos grandes vêm frequentemente à custa da flexibilidade mental", diz a estudiosa Karin Isler. "Nós, seres humanos, somos uma exceção, junto com as baleias e as focas, provavelmente porque, assim como nadar, o nosso bipedalismo não requer muito mais energia, mesmo quando somos mais gordos".

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