DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Não há ‘evidências’ de falta de medicamentos no Brasil por novo coronavírus, diz Anvisa

O avanço do novo coronavírus ligou o alerta na indústria e em governos por possíveis interrupções do fornecimento de medicamentos ou de insumos para a produção de remédios, especialmente vindos da China e Índia

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2020 | 21h31

BRASÍLIA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que não há “evidências” de que os estoques de medicamentos no Brasil estejam sob risco “iminente” de desabastecimento por prejuízos causados pelo novo coronavírus na cadeia produtiva da indústria farmacêutica.  

O órgão afirma que está em contato com empresas que detêm registros de medicamentos no Brasil. A ideia é agir rapidamente em casos de possíveis desabastecimentos, diz a agência. “Todas as associações representativas da indústria farmacêutica já foram contatadas pela Anvisa para o envio de dados sobre estoque de medicamentos e eventuais riscos de desabastecimento”, declara a Anvisa em nota enviada nesta quinta-feira, 5.

O avanço do novo coronavírus ligou o alerta na indústria e em governos por possíveis interrupções do fornecimento de medicamentos ou de insumos para a produção de remédios, especialmente vindos da China e Índia. Mais de 90% dos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) usados no Brasil são importados, sendo boa parte destes países.

A Anvisa se reuniu na quarta-feira, 4, com representantes da indústria farmacêutica para confirmar que não há risco “iminente” de falta de medicamento. “Como encaminhamento, foi definido que as associações manterão canal aberto com a Anvisa sobre a real situação dos estoques das empresas, a fim de evitarmos um potencial risco de desabastecimento de medicamentos no Brasil”, afirma a agência.

O órgão afirma que, se preciso, adotará medidas de para atender casos específicos de falta de medicamentos ou insumos para a produção. “Portanto, a Anvisa adotará medidas de otimização regulatória para atender casos específicos, mantendo a qualidade, segurança e eficácia dos produtos, e, em eventual hipótese de desabastecimento em razão da epidemia de Coronavírus, poderá tomar as devidas providências.”

A agência definiu ainda que editará uma resolução para “racionalizar” certificações exigidas para registros de medicamentos e produtos para a saúde no Brasil, prevendo demanda pelo novo coronavírus.

Como o Estadão/Broadcast mostrou, a indústria de medicamentos afirma que não teve a cadeia produtiva impactada pelo novo coronavírus, mas a situação "preocupa". As entidades dizem ter ligado o alerta para a possibilidade de insumos para produção ou pressão sobre preços.

“As nossas associadas, e quase todas as empresas do setor, estão obviamente fazendo mapeamento dos seus estoques e checando como o fornecimento pode ser afetado. É lógico que a preocupação é grande, mas não posso dizer pontualmente quais seriam os ativos (prejudicados)”, disse a presidente da ProGenéricos, Telma Salles.

“O que preocupa é uma corrida às farmácias por notícias de suposto desabastecimento. Aí vai ter mesmo uma falta de medicamentos”, afirma o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini.

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