Dominic Lipinski/EFE
Dominic Lipinski/EFE

Não há indícios de que vacina de Oxford esteja relacionada a coágulos, diz agência europeia

Países como Noruega e Dinamarca suspenderam temporariamente a aplicação de doses para investigar suspeita de trombose em imunizados

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 05h00

RIO - A European Medicines Agency (EMA), autoridade da União Europeia para medicamentos, afirmou oficialmente que não há indícios concretos de que a vacina de Oxford/AstraZeneca contra a covid-19 esteja relacionada ao aumento do risco de coágulos sanguíneos. De acordo com a agência, o número de casos registrados entre os já imunizados não é superior aos que ocorrem na população em geral. O Brasil aplica em seus cidadãos doses importadas do imunizante. A Fiocruz também já começou a fabricá-lo.

A declaração oficial da EMA veio depois que os governos da Dinamarca, Noruega e Islândia suspenderam temporariamente a aplicação de doses da Oxford/Astrazeneca. O motivo foi a constatação de alguns casos de trombose entre os que receberam o imunizante.

Os governos de outros seis países da Europa, entre eles Itália e Áustria, suspenderam o uso de um lote específico da vacina. O motivo foi o mesmo. Um homem teria morrido na Itália.

“Não há indícios de que a vacinação tenha causado o problema, que sequer é listado como efeito colateral dessa vacina”, informou a EMA, em comunicado divulgado nesta quinta-feira, 11. “Os benefícios da vacina continuam ultrapassando os riscos, e ela deve continuar sendo aplicada enquanto a investigação sobre os casos de trombose se desenrola.”

 A agência lembrou ainda que foram registrados 30 casos de trombose entre os cinco milhões de pessoas vacinadas com o imunizante de Oxford em toda a Europa.

Também em nota, a AstraZeneca afirmou que “a segurança da vacina foi amplamente estudada em ensaios clínicos de Fase I, II e III, e os dados revisados por consultores externos confirmam que a vacina foi geralmente bem tolerada”.

No Japão, autoridades analisam relatos de anafilaxia (uma reação alérgica aguda), depois da aplicação de outra vacina contra covid-19, a da Pfizer.  O ministro responsável pela campanha de vacinação, Taro Kono, informou que as taxas possivelmente associadas à aplicação do imunizante são mais altas do que em países da Europa e nos Estados Unidos.

Até agora, segundo o ministro, foram relatados 25 casos entre 148 mil profissionais de saúde vacinados. Nos EUA, a reação é relatada uma vez a cada milhão de doses ministradas. No Reino Unido, a relação é de 20 casos por milhão.

Especialistas ouvidos pelo Estadão disseram ser normal que surjam alguns problemas durante uma vacinação em massa. O risco existe sobretudo se a campanha de imunização envolver populações muito idosas (até centenárias) e pessoas com comorbidades. Os pesquisadores frisaram que as investigações são necessárias para afastar suspeitas sobre os imunizantes.

“Durante uma campanha de vacinação em massa serão registrados casos de infarto, AVC, trombose e de muitas outras coisas; especialmente quando vacinamos grupos de risco, pessoas muito idosas, portadores de doenças crônicas, pessoas que já são normalmente mais vulneráveis”, explicou o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri. “Isso não quer dizer que esses casos não precisem ser investigados. Pelo contrário, é preciso investigar com transparência, até para podermos dizer que a vacina continua sendo segura.”

No caso de vacinas novas, como as que estão sendo usadas  contra a covid-19, o início da vacinação em massa é monitorado pelas agências de saúde de cada país. A rigor, a aplicação constitui a fase 4 do desenvolvimento do imunizante. Avalia os efeitos na população em geral.

“Então isso tudo é normal, tem que suspender mesmo, estudar”, afirma Kfouri. “Significa que estamos de olho no processo, que não estamos botando pra baixo do tapete, e até pra explicar que não existe nada 100% seguro. Vacina é uma ferramenta social, tem os prós e os contra.”

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