Brian Snyder/Reuters
Brian Snyder/Reuters

Não há registro de reação adversa grave em voluntários de vacina de Oxford no Brasil, diz Anvisa

Testes de fase 3, última etapa antes do pedido do aval de agências de saúde para aplicação na população, do imunizante são interrompidos

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2020 | 14h49

BRASÍLIA – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta quarta-feira, 9, que não há relato de reação adversa grave, no Brasil, de voluntários que participam de estudo clínico da vacina da covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. Os testes de fase 3 sobre o imunizante, última etapa antes do pedido do aval de agências de saúde para aplicação na população, foram interrompidos na terça-feira, 8, por suspeita de reação em um dos voluntários do estudo no Reino Unido.

“No Brasil, não há relato de eventos adversos graves em voluntários. A Anvisa já está em contato com o laboratório AstraZeneca para o acesso à totalidade das informações e interlocução com outras autoridades de medicamentos no mundo”, afirmou a agência.

De acordo com o jornal The New York Times, uma pessoa familiarizada com a situação disse, sob condição de anonimato, que o participante no Reino Unido teve mielite transversa, uma síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal e costuma ser desencadeada por infecções virais.

A vacina de Oxford é a aposta da gestão de Jair Bolsonaro para imunizar a população contra a covid-19. O governo federal liberou cerca de R$ 2 bilhões para a Fiocruz receber, processar, distribuir e passar a produzir sozinha a droga. A ideia do governo é que as primeiras doses sejam aplicadas em janeiro de 2021.  

Em nota, a Anvisa disse ter sido informada pela AstraZeneca sobre a interrupção temporária dos testes até que a reação no voluntário seja investigada. “O objetivo é verificar se, de fato, o efeito inesperado tem relação com a vacina aplicada”, disse a agência brasileira.

A investigação sobre a reação adversa será conduzida por um Comitê Independente de Segurança, composto por pesquisadores internacionais que não estão vinculados ao estudo. “Este tipo de procedimento está previsto no desenvolvimento de vacinas, uma vez que esses estudos têm justamente o objetivo de confirmar a segurança e a eficácia das vacinas”, afirmou a Anvisa.

O recrutamento de voluntários para este tipo de estudo é de responsabilidade dos centros que conduzem as pesquisas clínicas. A Anvisa autoriza os testes após analisar dados das fases 1 e 2 dos estudos. Testes em humanos ainda exigem aval dos Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

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