Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Não queremos provocar ninguém', diz Bolsonaro sobre repasses a Estados para combate à covid-19

Presidente diz que os dados divulgados pelo governo são da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom): 'Fábio Faria, que é ministro, divulgou aquilo lá'

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2021 | 14h22

BRASÍLIA — Depois de ser criticado por governadores por distorcer informações de repasses financeiros para o combate da pandemia de covid-19, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira, 2, que as transferências a Estados e municípios mostram "uma verdade". Mesmo assim, Bolsonaro afirmou que o governo não quer "provocar ninguém" e atribuiu ao ministro das Comunicações, Fábio Faria, a divulgação dos números.

Bolsonaro disse que os dados divulgados pelo governo sobre os repasses são da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom). "Ali é o bruto que receberam, transferências diretas e indiretas, auxílio emergencial. O valor bruto que está ali. Não queremos provocar ninguém. Os dados foram feitos pela Secom. Fábio Faria, que é ministro, divulgou aquilo lá. E é uma verdade que está ali, nada mais além disso", observou Bolsonaro em conversa com apoiadores, na entrada do Palácio da Alvorada.

O presidente ouviu de uma mulher agradecimentos pela divulgação dos valores repassados. "Muita gente reclamando aí da exposição, estão pedindo mais... Alguns governadores (estão) pedindo mais recursos aí", respondeu ele.

O Estadão apurou que Bolsonaro planeja há tempos mudar o comando da Secom. Na tentativa de colocar um fim nos desentendimentos nessa área, especialmente entre o empresário Fábio Wajngarten, atual secretário, e o ministro Fábio Faria, o presidente deve “puxar” o almirante Flávio Rocha, que hoje comanda a Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, para a Secom. A ideia é que Rocha entre no lugar de Wajngarten. O empresário, no entanto, poderá ser mantido como assessor especial da Presidência, possivelmente em São Paulo.  

O presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), chamou governadores para uma reunião nesta terça-feira, 2, com o objetivo de discutir formas de enfrentar a pandemia. Por causa da alta de casos e mortes pelo novo coronavírus, governadores têm cobrado mais apoio do governo. A estratégia do Palácio do Planalto, no entanto, tem sido divulgar os repasses já feitos no ano passado para Estados e municípios.

No domingo, 28, Bolsonaro compartilhou em suas redes sociais o valor dos repasses para cada Estado. Governadores contestaram os números citados, que incluem até transferências obrigatórias, previstas pela Constituição.

Além do presidente, as redes oficiais do governo, por meio da Secom, e o ministro Fábio Faria têm dado destaque para as quantias repassadas a Estados e municípios em meio à pandemia. Em nota sobre o assunto divulgada nesta segunda-feira, 1, governadores criticaram o Executivo federal por "priorizar a criação de confrontos, a construção de imagens maniqueístas e o enfraquecimento da cooperação federativa essencial aos interesses da população”.

“Os governadores dos Estados abaixo assinados manifestam preocupação em face da utilização, pelo Governo Federal, de instrumentos de comunicação oficial, custeados por dinheiro público, a fim de produzir informação distorcida, gerar interpretações equivocadas e atacar governos locais”, diz um dos trechos da nota, subscrita pelos governadores de Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe. 

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