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Não se trata de furar, mas de formar mais filas, diz empresário sobre compra privada de vacinas

Carlos Wizard diz que Ministério da Saúde dá apoio à iniciativa para aquisição particular de doses; pasta não se manifestou

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2021 | 05h00

Um dos principais defensores da compra da vacina contra a covid-19 pelo setor privado, Carlos Wizard afirma que a organização de um consórcio de empresários para comprar 10 milhões de doses tem apoio do governo federal. Como a maior parte das fabricantes priorizam o setor público, ele diz que o grupo precisa ter um “aval” do Ministério da Saúde para conseguir negociar.

Nesta semana, a Câmara aprovou um projeto de lei que libera a aquisição de doses pela iniciativa privada, mesmo sem o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas a proposta ainda precisa passar pelo Senado. Na quarta-feira, Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde no continente, declarou que a aquisição de doses pela iniciativa privada vai ampliar as desigualdades

Ao Estadão, Wizard afirmou ter o apoio do governo federal. “Ontem (anteontem, na terça), recebemos um documento do ministério nos autorizando e oferecendo apoio para essa iniciativa. O trabalho é em total consonância e harmonia com o Ministério da Saúde”, afirmou. A reportagem procurou a pasta sobre a declaração, mas não teve confirmação até as 19 horas desta quarta-feira. 

“Não se trata de furar fila. É formar mais filas”, alega. “Queremos formar várias filas, a do SUS, e as nossas filas, junto da sociedade civil organizada, através dos empresários", afirma. 

Wizard diz que 30 dias são suficientes para a chegada das doses, assim que houver liberação na esfera nacional. O custo estimado é R$ 100 milhões de dólares, 10 dólares por dose. Questionado sobre a possibilidade de deduzir o custo no imposto de renda, disse que não é o momento de se tentar um benefício pessoal. “Não estamos em clima de troca troca, de buscar alguma vantagem”, declara. “O objetivo é poupar vidas e retomar a população à normalidade.”

Ele também parabenizou a relatora do projeto de lei, a deputada Celina Leão (PP-DF). “É uma primeira vitória”, comentou, ao se referir à aprovação na Câmara. Conforme relatou ao Estadão, ele e o também empresário Luciano Hang viajaram recentemente a Brasília, quando teriam discutido o tema com os ministros da Saúde, Marcelo Queiroga, e da Economia, Paulo Guedes, e com os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira.

Segundo ele, o consórcio que lidera a compra da vacina reúne “centenas de empresários”. Metade das doses seria doada ao Ministério da Saúde. A ideia é que os funcionários sejam imunizados em farmácias credenciadas, o que estaria sendo negociado com uma associação do setor, que preferiu não se pronunciar pelo tema ao ser procurada pela reportagem.

Wizard conta que o consórcio negocia com fabricantes da Ásia, da Europa e dos Estados Unidos, mas não cita nomes. “Nós, como empresários, vamos estar abertos a todos aqueles que têm vacina com eficácia e segurança."

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