Nas sociedades indígenas da Amazônia, crianças tinham uma mãe e muitos pais

Conforme a pesquisa, o modelo trazia vantagens para a mulher, num sistema onde havia muitas guerras

EFE, EFE

12 Novembro 2010 | 16h17

A paternidade múltipla, baseada na crença de que vários homens podiam contribuir para a concepção de uma criança, foi a técnica mais usada nas sociedades indígenas da Amazônia, segundo um estudo da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos.

 

Os autores do artigo publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, estimam que até 70% das comunidades do amazônicas usavam o princípio da paternidade múltipla.

 

"A concepção era vista como um processo gradual no qual se somavam contribuições de esperma de vários homens", descreveu o estudo realizado no Brasil, Paraguai, Argentina, Bolívia, Peru, Equador, Venezuela, Colômbia e Guianas.

 

Conforme a pesquisa, o modelo trazia vantagens para a mulher, por se acreditar que "pais secundários" contribuíam geneticamente, e por garantir que seus filhos sempre teriam pelo menos um pai, numa sociedade que frequentemente estava em guerra.

 

O estudo esclareceu que os pais "secundários" costumavam ser parentes ou amigos do companheiro oficial.

 

"Este costume começou há 5 mil anos e se manteve na maioria das sociedades da região até as últimas duas gerações, provavelmente ainda exista em 20 ou 30 comunidades", explicou um dos autores, o antropólogo Robert Walker à Agência Efe.

 

A técnica é rara dentre as antigas civilizações, com registros de casos isolados na Índia e na Papua-Nova Guiné.

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