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Nasa confirma: ISS pode ficar sem tripulantes em novembro

Ainda com lançamentos das Soyuz cancelados, Roscosmos decide retomar retomar o programa de lançamentos dos foguetes portadores cancelado desde a semana passada

Efe

30 de agosto de 2011 | 08h25

 

WASHINGTON - A Nasa confirmou nesta segunda-feira, 29, a informação inicial de um oficial da Roscosmos de que as agências espaciais poderiam ter que deixar a Estação Espacial Internacional (ISS) sem tripulação em novembro.

 

O anúncio ocorre depois da mudança de todo o calendário russo de lançamentos em decorrência da queda na semana passada de do cargueiro russo não-tripulado Progress, após uma falha em seu foguete propulsor. Este foi o primeiro acidente de um cargueiro automático russo desde que foi lançado o primeiro, em 1978, e deixou em interdição seu programa espacial, após assumir vários compromissos internacionais depois da aposentadoria das naves.

 

O problema é que as naves tripuladas Soyuz, usadas na substituição dos astronautas da ISS, usam foguetes similares ao Progress, por isso, se o problema não for resolvido antes de novembro, os seis residentes retornarão nas duas Soyuz que estão acopladas como "salva-vidas" na ISS sem que tenham chegado seus substitutos.

 

"Vamos fazer o que for mais seguro para a tripulação e para a estação espacial", que poderia ser operada temporariamente da terra, afirmou em entrevista coletiva o diretor do programa da ISS da Nasa, Mike Suffredini.

 

Suffredini explicou que as autoridades russas querem garantir que não há um problema similar nos foguetes das Soyuz e ressaltou que, se a falha não for resolvida antes de 16 de novembro, não será possível viajar com segurança à ISS e o complexo espacial ficará temporariamente vazio.

 

Outro dos problemas destacados por Suffredini é que as Soyuz foram desenvolvidas para permanecer, no máximo, seis meses acopladas à estação, por isso a viagem de retorno não poderia ser adiada por mais tempo.

 

Se a agência especial russa resolver o problema do foguete, a Nasa pretende lançar a próxima Progress com nova carga em meados de outubro. Esta missão serviria para garantir que os foguetes estão preparados e poderiam mandar uma Soyuz com nova tripulação de substituição antes do dia 16 de novembro.

 

Retomada. Já nesta terça-feira, 30, a Roscosmos decidiu retomar o programa de lançamentos dos foguetes portadores Protón e dos blocos aceleradores Briz-M, que haviam sido suspensos após a fracassada projeção do satélite de telecomunicações Express-AM4, em 18 de agosto.

 

A comissão de especialistas que averiguou as causas da falha concluiu que os técnicos se equivocaram com os parâmetros de programação do bloco acelerador, "o que levou a uma orientação incorreta do Briz-M e, como consequência, ao lançamento do satélite em uma órbita errônea", explicou a Roscosmos. A comissão certificou que os outros sistemas do Briz-M responderam corretamente.

 

O bloco acelerador é a última etapa de um foguete portador - no geral, a quarta - e se encarrega de levar satélites desde a chamada órbita de apoio até sua localização prevista ou de impulsionar aparelhos espaciais fora do campo gravitacional da Terra.

 

Com uma massa de 5.775 quilos e dotado de 57 transponders (dispositivos de telecomunicações) de diferentes bandas, o Express-AM4 devia assegurar a cobertura de telecomunicações do território russo e da Comunidade dos Estados Independentes, que agrupa 11 antigas repúblicas soviéticas.

 

Debate. O acidente com o Progress e os imprevistos com a ISS trouxeram à tona o debate sobre a conveniência do fim do programa de naves especiais americanas, uma vez que a Nasa não tinha um ônibus espacial preparado para sua substituição e depende dos russos para chegar à ISS.

 

Com a viagem final da Atlantis, os EUA deram por concluída a era das naves em julho deste ano. Com estas naves de grande capacidade a Nasa realizou voos tripulados durante 30 anos e carregou elementos fundamentais para pesquisa, como o telescópio Hubble e o Espectrômetro Magnético Alpha-2.

 

Seu plano original previa que nesta data estariam prontas as naves que as substituiriam, veículos multipropósitos que, além de viajar à órbita terrestre baixa, permitiriam a volta à Lua e o empreendimento de uma rota a outros destinos.

 

Mas o ambicioso plano anunciado pelo então presidente George W. Bush em 2004 não estabeleceu um orçamento definido, segundo o relatório divulgado posteriormente por uma comissão independente, e seu sucessor na Casa Branca, Barack Obama, cancelou o programa.

 

Nesta nova etapa, Obama redefiniu os planos da Nasa e deixou nas mãos da iniciativa privada a competência para construir as naves do futuro enquanto a agência procura novos desafios, como explorar um asteroide e a primeira visita a Marte.

 

No entanto, isso fez com que as missões para substituição dos ocupantes da ISS ficassem a cargo das naves russas, e não faltaram vozes para criticar esta medida, já que se negam a deixar nas mãos do inimigo histórico as viagens espaciais, pelos quais devem pagar ainda cerca de US$ 60 milhões por assento.

 

Críticas. "É absurdo que mais de 50 anos depois da era do homem no espaço o mundo inteiro dependa de um sistema de lançamento para levar as pessoas ao espaço", indicava um editorial do Huffington Post, enquanto o diário Los Angeles Times ironizava em uma manchete: "Estranho! Fracassado foguete espacial russo é a reposição das naves aposentadas".

 

Para o Huffington Post, este acidente demonstra que os EUA "abandonaram" seu programa espacial e considera "inclusive mais absurdo que o país, que financiou amplamente a estação espacial, tenha que pagar a outro país para transportar provisões e seus próprios astronautas".

 

O diretor da Nasa, Charles Bolden, reiterou que apesar das críticas os EUA seguirão na liderança da prospecção espacial. "O presidente nos deu uma missão com 'm' maiúsculo: que nos concentremos na prospecção globalmente e trabalhemos nas pesquisas e no desenvolvimento que nos permita ir à frente da órbita da Terra".

 

De qualquer forma, os EUA não se esquecem da ISS, um projeto de US$ 100 bilhões no qual participam 16 países e que seguirá operando até 2020.

 

Enquanto isso, a iniciativa privada está se aplicando para desenvolver as naves do futuro, e a companhia SpaceX já assinou um acordo com a Nasa para realizar um voo de teste com carga à ISS em novembro deste ano, algo que os EUA buscam para evitar ter de depender de outros países.

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