Nasa divulga nova imagem de asteroide que se aproxima da Terra nesta terça

Agência espacial norte-americana afirma que não há risco de colisão do 2005 YU55 com o planeta

estadão.com.br com agências internacionais,

08 de novembro de 2011 | 07h21

 

 

WASHINGTON - A Nasa divulgou nesta terça-feira, 8, uma nova imagem do asteroide 2005 YU55, que se aproxima da Terra. O corpo rochoso deve passar a uma distância inferior à da Lua no momento de sua maior aproximação ainda nesta terça-feira, às 21h28 (Horário de Brasília). Segundo a agência espacial americana, não há risco de colisão com o planeta.

O asteroide tem 400 metros de diâmetro, equivalente ao comprimento de um porta-aviões, e foi descoberto em 2005 por Robert McMillan. Segundo cálculos da Nasa, o 2005 YU55 deve passar a uma distância mínima de 324 mil quilômetros, menos que a distância da Lua, que fica a cerca de 384 mil quilômetros da Terra.

O fenômeno será visível do hemisfério norte (com trajetória favorável para o norte da Europa e Estados Unidos) para aqueles que tenham equipamentos adequados (preferencialmente telescópios com espelhos superiores a 150 mm) e, ainda assim, será de difícil observação, pois o asteroide é muito escuro e por sua passagem ocorrer muito rapidamente.

 

O radar planetário do Observatório de Arecibo eliminou, em abril de 2010, o risco de uma colisão dos asteroide 2005 YU55 com a Terra pelos próximos 100 anos, o que levou à retirada do astro da relação de objetos perigosos da Nasa. O asteroide foi observado por Arecibo, em Porto Rico, enquanto estava a 2,4 milhões de quilômetros da Terra, ou seis vezes a distância que nos separa da Lua, informa Michael Nolan, diretor do observatório.

As antenas do centro de vigilância do espaço profundo da Nasa situado em Goldstone, na Califórnia, vigiam desde sexta-feira, 4, a trajetória do asteroide, que, segundo os especialistas, está bem definida. O potente radar do observatório de Arecibo se une à equipe de vigilância neista terça, quando se estima que o asteroide chegue ao ponto mais próximo da Terra.

Os cientistas já advertiram que a influência gravitacional do asteroide não terá nenhum efeito detectável na Terra, como marés ou movimentos nas placas tectônicas. Embora este asteroide costume realizar uma trajetória que o faz se aproximar periodicamente da Terra, bem como de Vênus e Marte, o encontro deste ano será o mais próximo dos últimos 200 anos.

 

Pesquisa. Os pesquisadores aproveitarão a oportunidade de aproximação do asteroide, que só é comparável ao que ocorrerá em 2028, quando o asteroide 2001 WN5 deverá chegar ainda mais perto da Terra, para estudar a superfície do 2005 YU55. A passagem do corpo celeste tão próximo assim é relativamente comum, acontece mais ou menos a cada 25 anos. O que torna esta passagem importante é que agora os pesquisadores possuem instrumentos para estudá-los apropriadamente.

 

Em 2010, Mark Nolan e sua equipe do Observatório de Arecibo conseguiram reproduzir imagens do asteroide enquanto ele estava a 2,3 milhões de quilômetros da Terra. As imagens mostraram que sua forma é quase esférica e viaja lentamente, com um período de rotação de aproximadamente 18 horas. Quando ele passar próximo ao planeta em 8 novembro deste ano, estará sete vezes mais próximo, o que possibilitará melhores imagens para os cientistas, que utilizarão o radar Goldstone para isso. Espera-se uma resolução de imagem de 4 metros por pixel. A expectativa pela qualidade da imagem é tão grande, que os cientistas esperam poder estudar a composição mineral do asteroide, que faz parte do tipo C, os possíveis representantes dos materiais primordiais que formaram nosso sistema solar.

Os astrônomos indicam que a última vez que uma rocha espacial deste tamanho se aproximou tanto da Terra foi em 1976 e que a próxima aproximação conhecida de um asteroide com tais dimensões será no ano 2028.

A Nasa detecta e rastreia habitualmente os asteroides e cometas que passam perto da Terra usando telescópios terrestres e espaciais com seu programa Observação de Objetos Próximos à Terra, apelidado de Spaceguard, para detectar se algum pode ser potencialmente perigoso ao planeta.

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