Nascem os primeiros macacos quiméricos do mundo

Animais foram criados em laboratório após uma mistura de células representando seis diferentes genomas; segundo pesquisadores, não existem intenções de produzir quimeras humanas

Estadão.com.br,

05 de janeiro de 2012 | 16h11

Pesquisadores produziram os primeiros macacos quiméricos do mundo. Os corpos dos animais, que são normais e saudáveis, são compostos de uma mistura de células representando seis diferentes genomas. O avanço mostra o potencial de pesquisas futuras já que animais quiméricos estavam restritos a ratos, dizem os autores. O achado, publicado no periódico Cell, também sugere os limites para o uso de células embrionárias cultivadas.

Os macacos quiméricos nasceram após os cientistas essencialmente unirem células de embriões de macacos rhesus separados e implantarem os embriões mistos em fêmeas. Para tanto, as células foram misturadas num estágio de desenvolvimento muito precoce, quando cada célula é totipotente, isto é, capaz de originar vários tecidos. Segundo os estudiosos, essa opção contrasta com as células pluripotentes, que podem se diferenciar em qualquer tipo de tecido no corpo, mas não em organismos inteiros.

Os esforços iniciais da equipe em produzir esses animais falharam. Ratos quiméricos têm sido extremamente importantes para a pesquisa biomédica, permitindo a produção de animais que carregam alterações em genes.

O novo estudo sugere que células-tronco cultivadas de primatas ou humanas podem não ser tão potentes quanto aquelas encontradas em embriões.

"Não podemos modelar tudo nos ratos", dizem os autores. "Se queremos migrar as terapias celulares do laboratório para a clínica e dos ratos para os humanos, precisamos entender que o que essas células de primatas podem e não podem fazer. Precisamos estudá-las em humanos, incluindo embriões".

Os autores enfatizam, no entanto, que não há uso prático nem nenhuma intenção de produzir quimeras humanas.

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