Rungroj Yongrit/EFE
Rungroj Yongrit/EFE

Negligência sobre os coronavírus anteriores também atrasa pesquisa

Investigação da Sars ajudou em trabalhos atuais, mas muito parou quando aquela doença foi contida mundialmente

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2020 | 05h00

Pesquisadores brasileiros que procuram atualmente um imunizante para o novo coronavírus comentam que, se pesquisas anteriores com outros coronavírus (como Sars e Mers) tivessem avançado, talvez hoje a busca por uma vacina ou um tratamento para a covid-19 estivesse mais avançada.

A vacina de Oxford é um exo que eles demonstraram em 2002 e 2012. Se tivéssemos entendido esses vírus melhor, talvez estivéssemos mais adiantados emplo disso que deu certo, mas muitas outras acabaram sendo paralisadas. “Foram vírus negligenciados, apesar do potencial pandêmicagora”, afirma o virologista Thiago Moreno, da Fiocruz, que investiga o reposicionamento de drogas que têm outros usos para a covid-19.

Como essas doenças acabaram contidas antes de se espalharem pelo planeta, as pesquisas foram interrompidas, o que se mostrou um erro. Já há algum tempo a ciência esperava o surgimento de um vírus que tomaria uma proporção pandêmica. E aconteceu. “Mas deixou-se de investir na ciência básica que poderia ter nos deixado mais bem preparados”, diz.

Mesmo com o avanço da covi-19, a ciência mais exploratória vem sendo prejudicada. Chamou a atenção no fim de abril o fim de um financiamento dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH) para investigar novos coronavírus em morcegos – provável origem do Sars-Cov-2. O trabalho, que era conduzido em Wuhan (China), foi terminado por suspeitas infundadas de que o vírus teria escapado do laboratório.

“Hoje sabemos que é o spike (aquelas pontinhas na coroa) que tem de ser neutralizado no Sars-CoV-2 por causa dos estudos com Sars, mas poderíamos saber mais”, afirma Ricardo Gazzinelli, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas e pesquisador da Fiocruz e da UFMG. Ele coordena um dos dois projetos de vacina contra o coronavírus no Brasil. 

 

Como se faz uma vacina

Receba no seu email as principais notícias do dia sobre o coronavírus. 

Tudo o que sabemos sobre:
coronavírus [tratamento]vacina

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.