EFE/ Joédson Alves
EFE/ Joédson Alves

Nelson Teich defende aumento de isolamento em São Paulo e Rio de Janeiro

'Se você tem lugares com aumento de incidência e mortalidade, a primeira coisa é aumentar o distanciamento para diminuir o contágio', diz ministro

André Borges e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2020 | 20h08

Brasília – O ministro da Saúde, Nelson Teich, defendeu as medidas de ampliação de isolamento social anunciadas pelos governos de São Paulo e Rio de Janeiro e Amazonas, como resposta ao aumento de casos de óbitos e contaminações do novo coronavírus. As gestões de São Paulo e Rio de Janeiro estão no centro das críticas diárias do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a dizer que o aumento de mortes seria culpa do isolamento social adotado pelos Estados.

Perguntado sobre o aumento das restrições de circulação, o ministro disse que se trata de uma “medida coerente” e que, dada a situação desses Estados, é o que precisa ser realmente feito. “Se você tem lugares com aumento de incidência e mortalidade, a primeira coisa é aumentar o distanciamento para diminuir o contágio”, disse Teich. “É uma medida absolutamente natural diante do número de casos.”

A posição do ministro foi reiterada pelo assessor especial do Ministério da Saúde, Denizar Vianna. “Qual a avaliação do Ministério? Se nós estamos diante de uma doença onde não há, ainda, um tratamento específico, onde não há prevenção, não há vacina, resta o quê? O isolamento social”, comentou Vianna. “Então, a medida adotada é coerente por parte do gestor. Se ele detecta que há um incremento no número de casos e o sistema de saúde está entrando em estresse, resta a ele esse tipo de intervenção.”

A mudança de postura de Teich, que hoje não dá nenhuma data para qualquer flexibilização das medidas de isolamento social, deve-se, basicamente, ao aumento acelerado de mortes e contaminações no País, que encerrou o mês de abril com um total de 5.901 óbitos e 85.380 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, o País registrou 435 mortes e 7.218 novos casos de contaminação de covid-19, um recorde de novos casos.

Nelson Teich admitiu, inclusive, que decisões de flexibilização correm o risco de terem que ser canceladas, dado o avanço da doença. “Em algum momento, isso vai ter que ser flexibilizado. Na hora que isso acontecer, vai ter que ter calma, porque pode ser que você tenha que voltar atrás. Senão, isso vai virar uma guerra. Todo mundo tem que estar junto, porque aquilo que você faz hoje pode ter que ser revisto amanhã.”

O ministro também disse que as “diretrizes” montadas pelo ministério para que Estados e municípios tracem planos de flexibilização serão divulgadas individualmente, conforme demandadas, e não como um plano geral, para não gerar distorções, dada as peculiaridades de cada local.

Após assumir o posto, o ministro chegou a anunciar que divulgaria as diretrizes para flexibilização do isolamento em uma semana, mas agora diz temer que a divulgação atrapalhe o plano.

“Tenho uma preocupação muito grande de como essa veiculação possa ser usada. A ideia é que isso seja uma diretriz onde as pessoas vão ter que pensar em todas as variáveis e todos os pontos para que alguma política possa ser desenhada em algum momento no futuro quando se tenha a segurança necessária”, disse o ministro.

Se a liberação da diretriz soar como uma orientação ou recomendação de relaxamento, disse o ministro, “seria muito ruim, porque não é o caso”. “Estamos com isso pronto para discutir com governos e cidades, é uma diretriz, vai ser usada para balizar discussões e decisões de secretários, governadores e prefeitos, mas nesse momento vamos restringir essa apresentação a essas pessoas sem colocar isso na mídia agora.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.