Nenhuma terapia em humanos já foi aprovada

As células-tronco de embriões, embora promissoras, ainda estão longe de ser uma terapia. O que há hoje são pesquisas, no máximo utilizando animais. A grande dificuldade é fazer com que as células se desloquem até o local desejado e lá se transformem no tecido doente ou danificado. Além disso, existe a preocupação de que as células se multipliquem descontroladamente e dêem origem a tumores. "As pesquisas são muito recentes. Ainda não as estudamos o suficiente para saber se são 100% seguras em humanos", diz a farmacêutica bioquímica Patrícia Pranke, professora da UFRGS. Segundo ela, as clínicas que vendem tratamentos com células-tronco embrionárias ficam em países que estão longe de serem sumidades mundiais na medicina. No Brasil, as pesquisas só foram liberadas no ano passado. Numa futura fase de testes, os pacientes não poderão pagar pelo tratamento, pois serão cobaias. Para a geneticista Lygia Veiga Pereira, da USP, deve-se desconfiar de clínicas obscuras que vendem milagres. "Se é tão bom, por que o responsável não publica o estudo e ganha o Nobel?" O neurologista Acary Souza Bulle Oliveira, que lida com a esclerose lateral amiotrófica, já tentou, em vão, dissuadir pacientes de buscar tratamentos milagrosos no exterior. "A ciência evolui rápido. Mas, para o paciente, a evolução é lenta." Em geral, os pacientes terminais não se deixam convencer pela razão. "Nessa fase, acreditam em soluções mágicas. E ficam vulneráveis à manipulação", diz o psicoterapeuta João Figueiró, do Hospital das Clínicas da USP. "Diante da perspectiva da morte ou de um sofrimento intenso, até o dinheiro se torna uma coisa menor."

Agencia Estado,

20 de março de 2006 | 09h45

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