Dado Ruvic/Reuters
Dado Ruvic/Reuters

‘Não há motivos para ter suspeitas sobre vacinas contra covid-19’, diz OMS

O diretor de emergências afirmou que as candidatas ainda estão em fase de testes e que é necessário aguardar os resultados para classificar as imunizações quanto à eficiência e à segurança

Mílibi Arruda, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 08h42

O diretor de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, disse nesta segunda-feira, 10, que as vacinas contra covid-19 ainda estão em testagem, portanto ainda não é possível colocar dúvidas quanto à eficácia de alguns candidatos a imunizantes.

“Neste momento, não precisamos levantar suspeitas sobre qualquer vacina”, afirmou Ryan após ser questionado durante coletiva sobre a postura do presidente Jair Bolsonaro em relação à imunização desenvolvida pela China.

“O que precisamos fazer é olhar para eficácia e segurança dos testes”. Atualmente, há 165 vacinas sendo desenvolvidas - destas, 26 estão em testes com seres humanos e 139 estão num momento inicial de estudos.

O diretor também declarou que o Brasil ainda está sustentando um alto nível de transmissão e novos casos na pandemia, de 50 a 60 mil infecções sendo registradas todos os dias, segundo dados citados por ele. 

De acordo com o levantamento realizado pelo Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL,  foram 22,2 mil novos casos registrados no domingo, 9, com uma média diária de novos óbitos de 1.001 nos últimos sete dias.

Ryan apontou que, embora o País tenha achatado a curva de infecções do novo coronavírus, ela não está abaixando, o que coloca grande pressão nos sistema de saúde. “Numa situação assim, a hidroxicloroquina não é uma bala de prata ou uma solução”, respondeu após também ser perguntado sobre o medicamento, cujo uso é defendido por Bolsonaro.

Ele acrescentou que cada nação tem soberania para decidir os tratamentos que julgar apropriados, mas ressaltou que, em todos os estudos controlados, a hidroxicloroquina não se provou eficaz contra covid-19.

Na semana passada, o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que ainda "não existe e talvez nunca exista uma bala de prata contra covid-19", se referindo a uma vacina ou cura para a doença.

Tedros esclareceu que a declaração era uma forma de alertar as nações e populações para usarem as ferramentas de combate ao coronavírus já existentes, como distanciamento social e testagem para identificação de casos.

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