No 1° dia, hospitais de campanha apontam 405 casos de dengue

Duas crianças, uma de 6 e outra de 9 anos, foram diagnosticadas com dengue hemorrágica, mas estão bem

Pedro Dantas, Agência Estado

31 de março de 2008 | 21h44

Em seu primeiro dia de funcionamento, os hospitais de campanha das Forças Armadas constaram pelo menos 405 casos de dengue. Duas crianças, uma de seis e outra de nove anos, foram diagnosticadas com dengue hemorrágica, a forma mais grave da doença.  Veja também: Especial - A ameaça da dengueRio pede médicos de outros Estados contra epidemia de dengueContratação de pediatras não resolve dengue no RJ, diz SoperjEmbrapa desenvolve inseticida para morador usar em criadouroJuíza determina que SUS garanta vaga para doenteDengue atinge status de epidemia no RioEpidemia de dengue ameaça 30 cidades do PaísCabral defende fechamento de hospital que pode tratar dengue  Jéssica, de seis anos, chegou vomitando sangue no hospital da campanha da Aeronáutica, erguido na sede do Clube Campestre, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, após percorrer quatro hospitais públicos e uma clínica durante 12 dias com os sintomas da doença. No hospital de campanha da Marinha, montado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Lorran, de 9 anos, também foi diagnosticado com dengue hemorrágica após chegar com sangue escorrendo pelo nariz.  Devido à falta de leitos na rede pública, as duas crianças foram transferidas em uma UTI móvel para o hospital particular Menino Jesus de Praga, na cidade de Barra Mansa, a 110 quilômetros do Rio. A vaga só foi obtida porque a Secretaria Estadual de Saúde fez contratos com várias clínicas garantido 68 leitos, 14 deles no Centro de Terapia Intensiva, 14 na CTI adulta e 40 na enfermaria adulta. O estado de ambos é considerado grave pelos médicos. Moradora de Vila Valqueire (Zona Oeste), uma das regiões que registram a maior número de focos do mosquito transmissor da dengue, Jéssica chegou carregada pelos pais. Eles disseram que a menina chegou a ser atendida no Posto de Atendimento Médico da Praça Seca, em Jacarepaguá, onde foi diagnosticada a dengue. Em seguida, passaram pelos hospitais públicos Lourenço Jorge, Cardoso Fontes e Carlos Chagas. Em uma clínica particular também na Zona Oeste, a família não conseguiu leito para a internação.  Além de Jéssica, uma outra criança e quatro adultos foram diagnosticados com dengue hemorrágica. A Aeronáutica informou que 400 pessoas procuraram o hospital de campanha nesta segunda-feira, 31, 236 receberam atendimento e 200 delas apresentavam sinais de dengue. O número de atendimentos foi o dobro do esperado. "Temos capacidade para atender 400 pessoas. Hoje, esperamos receber 200 pacientes", disse pela manhã o coronel-médico da Aeronáutica, Luiz Sérgio Verbicaro.  Apenas na primeira hora de funcionamento, o hospital recebeu 30 pessoas. A estrutura montada em 15 tendas refrigeradas conta com 40 leitos, uma UTI, um laboratório e duas ambulâncias para remoções. Oitenta militares da área de saúde e 40 homens para o apoio logístico participam da operação.  Moradores de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, os pais de Lorran de 9 anos, não quiseram conversar com os jornalistas.  O Hospital de Campanha da Marinha, em Nova Iguaçu, realizou 226 atendimentos, sendo 140 adultos, 84 crianças, das quais 65 de até 10 anos. Do total, foram constatados 201 casos de dengue. A Marinha informou que o tempo médio de espera para atendimento foi de 30 minutos. Porém, o atendimento às crianças apresentou um tempo maior de espera, "devido às peculiaridades características do atendimento pediátrico."  O hospital é constituído de onze barracas refrigeradas, onde foram instalados um setor de recepção, ambulatórios, centros de hidratação e laboratório, além de uma farmácia que distribui gratuitamente medicação. A triagem é feita no Hospital da Posse, no mesmo município.  Cem militares estão trabalhando no local, sendo 45 profissionais da área de saúde e 55 militares na equipe de apoio. Com uma estrutura menor e funcionando dentro da Vila Militar de Deodoro, na Zona Oeste, o hospital de campanha do Exército realizou 79 atendimentos até o momento, de acordo com o Comando Militar do Leste. Quatro pessoas foram transferidas para a internação.

Tudo o que sabemos sobre:
epidemiadengueRio de Janeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.