Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

No Brasil, 2 milhões de pessoas se recuperaram da covid-19, diz ministério

Número representa 70,7% dos casos contabilizados desde o início da pandemia no País

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2020 | 19h27

O Ministério da Saúde informou na noite desta quarta-feira, 5, que o Brasil tem mais de 2 milhões de pessoas recuperadas da covid-19. O número representa 70,7% dos casos contabilizados desde o início da pandemia no País. Segundo a pasta, nas últimas 24 horas foram registradas 1.437 mortes e 57.152 novos casos de coronavírus. Ao todo, o País tem 97.256 mortes e 2.859.073 casos confirmados de covid-19, de acordo com o ministério.  

O número de recuperados é calculado da seguinte maneira: do total de casos confirmados em todo o País são excluídos os mortos, os hospitalizados e os que tiveram teste positivo, mas não morreram nem foram internados nos 14 dias anteriores.

Especialistas e pacientes ouvidos pelo Estadão relatam que entre os recuperados há pessoas que ainda têm o vírus, apresentam sintomas ou ficaram com sequelas. O pneumologista do hospital alemão Oswaldo Cruz Gustavo Prado explica que é possível que os pacientes que receberam alta hospitalar, ou alta das unidades de saúde depois de uma primeira avaliação que não implicou na necessidade de hospitalização, permaneçam com sintomas prolongados.

O especialista também citou estudo realizado na Itália e publicado pela revista médica JAMA Network Open, que mostra que, independentemente da gravidade, mais da metade dos pacientes  que foram hospitalizados e receberam alta continuam com sintomas de fadiga e dores nas articulações. 

“A internação prolongada também expõe esses pacientes ao risco de complicações comuns nesse subgrupo de pacientes graves hospitalizados, como infecções e distúrbios metabólicos. Então uma boa parcela desses pacientes podem apresentar, depois de uma permanência prolongada na UTI, alterações diversas, que podem ser cansaços aos esforços, fadiga, perda de força muscular, alteração de memória, de humor, ansiedade”, disse.

Em recente entrevista ao Estadão, Marcelo Sampaio, cardiologista da Beneficência Portuguesa (BP) de São Paulo, também explicou sobre o processo de recuperação de quem teve covid-19. “O grande problema desses números é que, como só testamos quem procurou serviço médico, quem foi para o hospital, quando falamos em recuperados, estamos falando de quem teve alta hospitalar. Não significa alta médica. Os leitos precisam girar. Então às vezes o paciente sai ainda com algum sintoma, alguma queixa. Não estão aptos a voltar para o trabalho, voltar a fazer atividade física. São recuperados só da fase aguda da doença, mas é um processo gradual”, afirma.

Uma página do Facebook chamada “Eu já tive covid-19” traz diversos relatos de pessoas que contam permanecerem com sintomas mais de um mês depois do diagnóstico. A arquiteta Rebeca Grilo, de 32 anos, de Natal, por exemplo, afirma que a sensação de fadiga é a mais duradora

“O tempo de recuperação após um esforço tem sido cada vez menor, mas permanece maior do que no período antes da doença. Sempre associo com uma recuperação após uma corrida, mas às vezes eu nem sequer me levantei”, disse em recente entrevista ao Estadão.

Outro relato foi da enfermeira Adriana Brito Leone, 40 anos, de São Paulo. Ela trabalhava na UTI do AC Camargo Câncer Center quando começou a sentir sintomas. Três dias depois já tinha resultado positivo para covid-19. Duas semanas depois, voltou a fazer o exame, e continuava positivo. A mesma coisa se repetiu após mais uma semana. O exame só foi dar negativo – ou seja, o vírus só tinha sido completamente eliminado do corpo dela – 28 dias depois do diagnóstico. E naquele dia ela ainda tossia e sentia dor muscular.

“Não são só 14 dias. E a gente fica sem certeza de nada, se ainda está transmitindo, se pode piorar. Eu trabalhava em UTI, sentia na pele o que os pacientes estavam sentindo e morria de medo de ser entubada e parar lá dentro”, contou à reportagem.

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