'No Brasil, é o vírus que está no controle até agora', diz diretor de emergências da OMS

'No Brasil, é o vírus que está no controle até agora', diz diretor de emergências da OMS

Michel Ryan avaliou que a covid-19 não está avançando com a mesma rapidez no País, mas precisa de medidas efetivas para entrar em queda

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2020 | 13h16

O diretor do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou nesta sexta-feira, 17, que vários países - incluindo o Brasil - não conseguiram controlar o surto do novo coronavírus. "Até agora, é o vírus que está no comando, que está ditando as regras. Nós é que precisamos ditar as regras em relação ao vírus".

Ryan explicou que o número de novos casos de covid-19 registrados diariamente no País estabilizou entre 40 mil e 45 mil e as mortes diárias estão na média de 1,3 mil. A taxa de transmissão chegou a ser maior que de 2, o que significa que uma pessoa infectada transmitia a donça a outras duas, em média.  Atualmente, esse índice está em 0.5 a 1.5, a depender do Estado, o que mostra que não há mais crescimento exponencial.

Na curva da pandemia, o Brasil não está mais na subida, mas ainda não está em queda sistemática. "O platô foi atingido, mas os casos e mortes continuam a acontecer. E não há maneira de garantir que a queda vai ocorrer por si", disse.

O diretor de emergências ressaltou que o platô, esse ponto da curva da doença em que há estabilidade de casos e mortes, é uma oportunidade para suprimir a transmissão e levar a curva para baixo. "Para isso, são necessárias ações coordenadas, aplicadas de forma sustentada". 

O Brasil superou a marca de 2 milhões de contaminados pelo coronavírus na quinta-feira, 16, com mais de 72 mil mortes. É o segundo país em número de casos - fica atrás apenas dos Estados Unidos, que ultrapassou os 3,5 milhões.

Também nesta sexta-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, apontou que 10% dos infectados com covid-19 no mundo são profissionais de saúde. Seguindo o padrão mundial, Ryan disse que 11% dos contaminados no Brasil são da categoria.  "Isso é uma tragédia em si. Esses trabalhadores estão pagando o preço mais caro na pandemia".

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