No Dia da Saúde, Rio faz mutirão contra mosquito da dengue

Ação acontece em 15 comunidades nos arredores da Fiocruz; objetivo é eliminar possíveis criadouros

da Redação, estadao.com.br

07 de abril de 2008 | 12h23

Um pedido de ajuda de representantes das comunidades de Manguinhos a Fiocruz originou uma iniciativa de mobilização contra a dengue. O projeto Dia de Combate a Dengue, que ocorre nesta segunda-feira, 7, Dia Mundial da Saúde, visa a identificar e eliminar, nas 15 comunidades dos arredores da Fundação focos de Aedes aegypti e possíveis criadouros, além de orientar a população. Participam técnicos, funcionários da Fiocruz e moradores.  Acompanhe o avanço da dengue A mobilização teve início às 8 horas, em frente à Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp). O principal objetivo dessa operação é eliminar o maior número possível de depósitos inservíveis (que possam servir de criadouros do mosquito) e transportá-los para um destino adequado, tratando sempre que necessário os depósitos de água para consumo com larvicida biológico. Os agentes também irão instalar tampas de caixas d’água e realizar tratamento a fim de quebrar a cadeia de transmissão.  Os profissionais e voluntários percorrerão ruas das seguintes comunidades: Amorim, Parque Carlos Chagas, Nelson Mandela, Samora Machel, CHP2, Vila São Pedro, Vila Turismo, Mandela de Pedra, João Goulart, Vila União, Monsenhor Brito, Embratel, CCPL e Agrícola. As associações de moradores são parceiras da SMS nessa ação. Ajuda de outros Estados Começaram a desembarcar no Rio de Janeiro os primeiros médicos de outros Estados que vieram ajudar no combate à epidemia de dengue; nesta segunda-feira, 7, chegam mais 32. Os profissionais são ligados ao Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, maior complexo hospitalar da América Latina. Os médicos devem chegar ao Rio e permanecerão pelo menos até o domingo, 13, para realizar o atendimento médico em unidades de saúde.  Além dos médicos, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo já ofereceu ao município do Rio mil exames de sorologia para confirmação de dengue e cerca de 200 leitos de internação nos hospitais estaduais Emílio Ribas, Cândido Fontoura e Darcy Vargas, na capital paulista. Na sexta-feira, 4, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, pediu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que oriente os laboratórios a suspenderem a propaganda do paracetamol, remédio que é prescrito mesmo para paciente com dengue.  Segundo o ministro, há indícios de que algumas mortes, especialmente de crianças, podem ter ocorrido devido ao excesso do medicamento. Pesquisas científicas indicam que o uso excessivo de paracetamol pode provocar insuficiência hepática, a segunda causa de morte por dengue. Em nota, a Anvisa informou que solicitou formalmente à Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip) que oriente os fabricantes de analgésicos para a necessidade de suspensão temporária da propaganda desses medicamentos. O protocolo do Ministério da Saúde orienta os médicos a prescreverem paracetamol ou dipirona nos casos de suspeita de dengue. Temporão diz que a orientação continua a mesma, o que se pede aos laboratórios é que não incentivem a automedicação, e ressaltou que o controle da propaganda deve ser feito apenas enquanto a epidemia estiver fora de controle. Ele também pediu aos laboratórios que enfatizem a necessidade de prescrição médica antes de tomar qualquer droga, especialmente em caso de suspeita de dengue.  A Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), em nota, deu apoio ao apelo do ministro. "Havendo risco sanitário, como indica o grave quadro endêmico da doença, é recomendável que as empresas do setor atendam à solicitação das autoridades, evitando, assim, qualquer situação de risco, ainda que remoto, para a população", disse um trecho da nota. Antiinflamatório A Secretaria de Estado da Saúde do Rio confirmou, no domingo, a morte de um adolescente com suspeita de morte por dengue hemorrágica. Danilo Romano de Souza, de 14 anos, foi ao hospital na zona oeste da cidade por causa de uma fissura no pé, mas já sentia sintomas da dengue, como febre e dores de cabeça e no corpo. O médico receitou um antiinflamatório para o pé, o que teria agravado o estado do menino, que morreu na manhã de sábado. "Meu pai já estava desconfiado e pediu o exame de sangue, mas os médicos afastaram a possibilidade de dengue. Ninguém nos orientou a voltar ao hospital ou refazer os exames. Depois de cinco dias com dores, meu irmão entrou em choque e teve uma parada cardiorrespiratória. Antes, ele ficou quatro horas sentado num banco de cimento do hospital tomando soro", contou Daniel Romano de Souza, de 25 anos.  De acordo com Maurício Ezequiel de Souza, de 47 anos, pai do estudante, o médico plantonista que atendeu Danilo na madrugada de sábado disse que o estado de saúde dele foi agravado pela ingestão do antiinflamatório. "Com certeza falharam com meu filho. O médico perguntou quem tinha receitado. Ele disse que era um absurdo receitar esse medicamento numa epidemia de dengue", contou Souza. "Vou processar o governo do Estado para que outras crianças não morram por descaso", disse ele. A família também criticou o fato de o laudo do Instituto Médico Legal ter apontado como causa da morte "hemorragia em decorrência da doença", sem especificar a dengue. "Eles querem burlar as estatísticas para se eximir de culpa", acusou Souza. De acordo com a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, ainda é necessário aguardar o resultado da sorologia para confirmar o caso de Danilo como morte por dengue hemorrágica.  Outra morte que aguarda confirmação é a de Nivaldo Yan Pinheiro, de 6 anos. Morador da zona oeste do Rio, ele morreu num hospital particular de Niterói (Grande Rio) depois de seus pais procurarem por telefone, durante cinco horas, por uma vaga para a internação do garoto. Até agora, no Estado, há 67 mortes confirmadas por dengue, sendo a maior parte na capital, e 58 sob investigação.  Procura No domingo, o movimento foi tranqüilo nos hospitais e tendas de hidratação. Na tenda que foi instalada ao lado do Hospital Getúlio Vargas, na Penha, zona norte, pacientes queixaram-se da demora para o resultado de exames. "Cheguei às 10 horas e só agora saiu o resultado. Tem paciente que está esperando há quatro horas", contou a auxiliar de serviço geral Débora da Silva, que fazia ontem o segundo hemograma em quatro dias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.