No Dia Nacional de Combate à Psoríase, entidades alertam sobre preconceito

Por desconhecimento, pessoas mantêm distância ao achar que problema de pele é transmissível

Agência Brasil

29 Outubro 2010 | 19h29

BRASÍLIA - No Dia Nacional de Combate à Psoríase, entidades de dermatologia do País alertam para o preconceito que portadores da doença sofrem. Um dos principais obstáculos encontrados pelos pacientes hoje é a falta de informações da sociedade. Especialistas afirmam que, por causa do desconhecimento, algumas pessoas mantêm certa distância por achar que esse problema inflamatório da pele é transmissível.

A psoríase é uma doença crônica, não contagiosa e de causa ainda desconhecida, que afeta de 1% a 3% da população, conforme dados da Psoríase Brasil. Caracteriza-se pelo aparecimento de lesões róseas ou avermelhadas, cobertas de escamas secas e esbranquiçadas que aparecem, em geral, no couro cabeludo, nos cotovelos e joelhos, podendo, em alguns casos, espalhar-se por todo o corpo. A doença pode se manifestar logo após o nascimento ou em idosos, mas o período mais comum é entre os 20 e 40 anos.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Distrito Federal, Gilvan Ferreira Alves, a população, ao tomar conhecimento de que a doença não é transmissível, pode ajudar o paciente a ter um tratamento mais eficaz e uma melhor qualidade de vida.

“Esteticamente, a psoríase causa repulsa, com o surgimento de placas avermelhadas. Tomando conhecimento de que ter contato direto com o portador não trará nenhuma possibilidade de contágio, as pessoas vão contribuir consideravelmente para a condução do tratamento”, ressalta.

Membro da Associação Brasiliense de Combate à Psoríase (Abrapse), Elias Barros descobriu há nove anos que tem a doença. Segundo ele, a grande dificuldade, na época, foi a fase do diagnóstico. Hoje, Barros procura ajudar outras pessoas a entender que é possível manter a qualidade de vida sendo portador de psoríase.

“Demorou certo tempo para diagnosticar o problema. Cheguei a precisar de acompanhamento psicológico, porque infelizmente não havia informações claras sobre a doença, e o preconceito, embora ainda exista, era muito maior. Hoje, procuro ajudar outras pessoas, mostrando que é possível viver bem", destaca.

Para o presidente da Abrapse, Walber Rocha, o esclarecimento será sempre um fator importante no combate ao preconceito. “Acreditamos que os pacientes e a família precisam levar uma vida saudável, longe de qualquer tipo de discriminação. Mas, para que isso aconteça, o governo precisa intensificar as campanhas em parceria com as entidades, oferecendo informações que ajudem a mudar esse quadro e alertando também para aqueles que têm a doença e simplesmente desconhecem o fato", afirma.

No Brasil, a rede pública de saúde oferece tratamento aos portadores de psoríase. Em casos em que há danos psicológicos, eles são encaminhados a profissionais especializados para acompanhamento. Em todo o País, serão articuladas ações de conscientização e combate à doença.

O site Psoríase Brasil reúne associações que promovem palestras e divulgam informações sobre o tema. O usuário pode saber mais sobre o que é a doença e encontrar grupos de apoio que fazem trabalho paralelo ao tratamento dermatológico.

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