Marco Santos/ Agência Pará
Marco Santos/ Agência Pará

No enfrentamento ao novo coronavírus, Pará amplia atendimento no interior com clínica móvel

São 40 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e administrativos. Expectativa é de atender 150 pacientes por dia

Roberta Paraense, especial para o Estado

13 de maio de 2020 | 17h19

BELÉM - Para o enfrentamento do novo coronavírus no Pará, inicia nesta quinta-feira, 14, os atendimentos médicos na Policlínica Itinerante. O projeto vai alcançar a população de vários municípios paraenses, com consultas ambulatoriais, em uma espécie de clínica móvel. A perspectiva é de que, com a ação, a demanda dos hospitais públicos e particulares da capital paraense diminua. Nos últimos dias, Belém registrou filas quilométricas na porta de unidades de saúde. Prontos-socorros já fecharam as portas para atendimento devido à falta de médicos.

O primeiro município que vai receber a caravana médica é Santo Antônio do Tauá, no nordeste paraense, localizado a 54 quilômetros da capital. A cidade de cerca de 32 mil habitantes vem sofrendo com a proliferação do novo coronavírus. Com apenas um hospital e poucas unidades de saúde, a população local recorre a Belém ou a Castanhal quando apresenta os sintomas da covid-19 em busca de atendimento, exames e medicamentos.

O pedreiro Helton Fernando do Carmo, de 48 anos, mora na rua Santos Dumont, no Bairro Novo. Ele conta que a sua família não foi infectada, mas, como a cidade é pequena, conhece a dura realidade da vizinhança que padece com a doença. “Aqui temos apenas um hospital que fica cheio durante o dia e à noite. Não temos UPAs, e existem apenas uns postos de saúde que não funcionam o dia todo. Tem muita gente doente no Tauá, e as pessoas estão indo para Belém", disse. "A gente conhece uns que já morreram”.

Diariamente, carros de som andam pela cidade pedindo que a população fique em casa e que, em situações mais urgente, saia de máscaras. Porém, segundo Fernando, o pedido é em vão. “Ninguém respeita, as pessoas quase não usam máscaras. Agora, fecharam tudo, nem as igrejas estão funcionando. Tem policiamento nas ruas, as pessoas estão ficando mal, não tem remédios nas farmácias”, lamentou o pedreiro. 

Santo Antônio do Tauá é um dos dez municípios paraenses que estão sob a aplicação de lockdown, com o bloqueio total das atividades não essenciais desde a última quinta-feira, 7. A medida está marcada para acabar no próximo domingo, 17.  

No último boletim da Secretaria Municipal de Saúde do Tauá, atualizado na noite desta terça-feira,12, a cidade registrava ao menos 13 óbitos de pessoas com complicações da covid-19. No entanto, a população garante que maior parte dos doentes não estão sendo testados. “No hospital não encontramos nem medicamentos, temos de ir para Castanhal ou para Belém comprar. Não conheço nenhum doente que tenha feito o teste”, afirmou Fernando.

Critério de atendimento da Policlínica

O critério para o atendimento da Policlínica nos municípios é a taxa de pessoas infectadas pela covid-19. Santo Antônio do Tauá tem 322 casos por 100 mil habitantes. A cidade registra o maior número de casos positivos do novo coronavírus por 100 mil habitantes no Estado, ultrapassando, inclusive, Belém.

Esta semana, o governador do Estado, Helder Barbalho (MDB), esteve no município para acompanhar a situação da saúde e observar os últimos ajustes para o funcionamento da Policlínica. “De maneira técnica, a nossa decisão foi iniciar por este município para que possamos dar garantias de atendimento, estabilizar a condição de enfrentamento à doença e, claro, atender e salvar a vida da nossa população”, explicou Helder à Agência Pará.  A previsão é de que o serviço seja ofertado por cinco dias na cidade e, se houver necessidade, o período poderá ser prorrogado.

O chefe do Executivo do Pará também falou das perspectivas geradas com o funcionando do projeto. “Estamos incrementando mais um serviço do governo do estado para colaborar no enfrentamento ao coronavírus. O programa Policlínica Itinerante foi criado para atender pacientes com síndrome aguda respiratória. O mesmo serviço que a Policlínica Metropolitana vem desenvolvendo em Belém será feito agora de forma móvel, atendendo cidades do interior do Estado”, sublinhou Barbalho. O atendimento vai ocorrer no Centro Municipal de Saúde, das 8h30 às 17h30.

Estrutura

A equipe da Policlínica Itinerante é formada por 40 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e administrativos. A expectativa é de atender, em média, 150 pacientes por dia. A unidade também deve disponibilizar medicações para os pacientes com diagnóstico de covid-19. 

O fluxo será semelhante ao modelo da Policlínica Metropolitana em Belém, onde um médico fica na triagem fazendo a análise dos sintomas dos pacientes. A estrutura montada é formada por cinco consultórios, sendo quatro montados sobre uma carreta e o quinto, em uma van. Uma ambulância também ficará disponível no local e receberá, nesta semana, um tomógrafo móvel para a realização de exames de captação de imagens em alta definição.

A reportagem solicitou à Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) o cronograma com as cidades que o projeto vai atender. No entanto, a Sespa informou que as datas e os locais de atendimentos ainda estão sendo fechados.

Receba no seu email as principais notícias do dia sobre o coronavírus

Para Entender

Coronavírus: veja o que já se sabe sobre a doença

Doença está deixando vítimas na Ásia e já foi diagnosticada em outros continentes; Organização Mundial da Saúde está em alerta para evitar epidemia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.