Aijaz Rahi/AP
Aijaz Rahi/AP

No mundo, quase 10 milhões ainda não sabem que foram contaminados pelo HIV

De acordo com a UNAids, 75% das pessoas vivendo com o vírus do HIV hoje sabem que estão contaminadas; em 2015, a taxa de pessoas que conhecia sua situação era de apenas 67%

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

22 Novembro 2018 | 14h48

GENEBRA - O número de novos casos de aids no mundo sofre uma queda importante e milhares de mortes passaram a ser evitadas, graças aos tratamentos. Mas 9,4 milhões de pessoas continuam sem saber que estão contaminadas. 


Os dados estão sendo divulgados nesta quinta-feira, 22, pela UNAids. De acordo com a entidade, 75% das pessoas vivendo com o vírus do HIV hoje sabem que estão contaminadas. Em 2015, a taxa de pessoas que conhecia sua situação era de apenas 67%. 

Mas os especialistas ainda apelam por novos esforços para permitir atingir o restante da população, inclusive para ampliar o controle sobre a proliferação da doença. No Brasil, a estimativa é de que taxa de pessoas contaminadas que desconhecem sua situação é de cerca de 15% do total da população com o vírus do HIV. 

Em todas as esferas, a luta contra a doença está mostrando resultados. Em 2015, 17 milhões de pessoas tinham acesso à terapia. No ano passado, o número já subiu para 21,7 milhões, cerca de 60% de todas as pessoas contaminadas. 

Em 2000, 2,8 milhões de novos casos foram identificados no mundo. Em 2017, esse número caiu para 1,8 milhão. Nesse mesmo período, as mortes passaram de 1,5 milhão por ano para 940 mil. O resultado é que o número de pessoas vivendo com o vírus atingiu 36,9 milhões. Na América Latina, foram 100 mil novos casos em 2017 e 37 mil mortes. 

Para Michel Sidibé, diretor-executivo da UNAids, os números mostram que “o tratamento está funcionando” e que a comunidade internacional dá sinais de estar conseguindo manter o vírus sob controle.

A entidade defende que o teste de aids seja um “direito humano básico” e pede que os governos se comprometam a eliminar as barreiras, garantir confidencialidade, serviços de tratamento e integrar os testes a exames de rotina no serviço público. 

Mas o levantamento também mostra que algumas das maiores barreiras são o estigma e a discriminação. “Estudos mostram que o medo de ser visto fazendo um teste de aids é um dos obstáculos para muitos que temem depois serem estigmatizados em suas famílias e na comunidade”, aponta a entidade.

Em outras situações, são as leis que incrementam os problemas, com a proibição de que menores de 18 anos possam realizar o teste sem o conhecimento dos pais. 

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