FABIO MOTTA/ESTADÃO
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No ‘pós-zika day’, locais visitados têm risco de proliferação do 'Aedes'

Área por onde passou Dilma teve 'maquiagem' de última hora, mas problemas da localidade voltaram a aparecer

LUCIANA NUNES LEAL e FELIPE RESK, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2016 | 03h00

No Rio e em São Paulo, uma semana após o primeiro “zika day” os riscos com o mosquito prosseguem. A comunidade Zeppelin, em Santa Cruz (zona oeste carioca), visitada por Dilma Rousseff no mutirão contra o mosquito Aedes aegypti no dia 13, passou por uma “maquiagem” de última hora apenas no trecho percorrido pela presidente, de carro e a pé, mas os problemas da localidade voltaram a aparecer. O mato que tomava o valão da Rua 9, a principal da favela, foi cortado para a visita presidencial. Só que o lixo sobre a água parada não foi retirado e até aumentou entre quarta-feira passada e esta sexta-feira, 19, dias em que o Estado voltou ao local.

“Dilma tinha de vir aqui uma vez por mês”, ironizou o barbeiro Márcio Rodrigues de Oliveira. Ele suspeita ter contraído zika há um mês. “Esperei passar. Mas certamente era zika, muita gente aqui teve.”

A agente comunitária Fernanda do Nascimento, moradora de Santa Cruz e designada para as comunidades da região, esteve no Zeppelin nesta sexta e destacou que muito depende da conscientização. “Estamos fazendo varreduras e panfletagens. A ideia é que todos os domicílios sejam visitados”, disse. De fato, é perceptível a diferença de cuidados adotados pelos próprios moradores. Enquanto há quintais e casas bem tratados, outros estão abandonados.

São Paulo. As áreas da Grande São Paulo visitadas por ministros no mutirão contra o Aedes aegypti, no sábado passado, também têm pontos em comum: ficam na periferia, têm pilhas de lixo ao ar livre e focos do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e vírus zika.

Após escolher a cidade de Osasco, onde o pai de 91 anos mora e contraiu dengue, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, foi recepcionado em uma escola municipal bem cuidada e limpa. A unidade fica no Jardim Rochdale, bairro que já ganhou o noticiário por ser palco frequente de alagamentos. No arredores da escola, porém, não é difícil encontrar entulhos e praças com mato alto e lixo na rua. “Aqui tem muito mosquito”, diz a aposentada Amantina Ducci, de 76 anos, que mora perto de um terreno onde, conta, a água da chuva está parada há mais de uma semana. A prefeitura de Osasco diz que orienta a população, recolhe entulho e lixo regularmente e multa descartes irregulares.

Já o ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, acompanhou o prefeito Fernando Haddad (PT) a Guaianases, na zona leste, na semana passada, região da capital com maior incidência de dengue. No CEU Jambeiro, onde a comitiva se reuniu, havia entulho no estacionamento, material de construção na área da piscina e lixeiras quebradas. 

No córrego atrás do equipamento via-se muito lixo acumulado na quarta. A Prefeitura diz que já fez a limpeza, retirou o material de construção e substituiu os itens quebrados do CEU. 

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