Fernando Frazão - Abr/Divulgação
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No Rio, 196 médicos formados no exterior fazem Revalida

Prova para revalidar o diploma no Brasil é destinado aos médicos que obtiveram o diploma no exterior e querem trabalhar no País

25 de agosto de 2013 | 17h14

Rio de Janeiro – O Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) foi aplicado neste domingo, 25, no Rio de Janeiro, para 196 dos 1.772 médicos formados no exterior inscritos na prova. A etapa foi dividida em duas partes. A primeira, objetiva, ocorreu pela manhã, e à tarde tarde foi realizada a prova discursiva. A segunda fase do Revalida, que avalia as habilidades clínicas, será feita em outubro.

A espanhola Amaia Foces, que tem especialidade em medicina da família, está no Brasil há seis meses, mas já trabalhou 12 anos na Inglaterra e quatro anos na Espanha. Ela concorda que deve haver uma prova para os médicos estrangeiros exercerem a profissão aqui, mas não considera o modelo adotado o mais adequado.

“Eu acredito que seja melhor a avalização individual do médico, de onde o médico vem, do diploma, do histórico da carreira universitária. Porque a prova não reflete o que eu sei de conhecimentos médicos. É muita coisa da legislação do Brasil, que não tem que a ver com a medicina, que temos que saber, mas que há outras coisas que não refletem a prática médica”, disse a médica espanhola.

Ela disse que se inscreveu no Programa Mais Médicos para trabalhar no município de Itaguaí, na região metropolitana do Rio, mas houve problemas com a inscrição porque já estava no Brasil. Quanto à polêmica com a vinda de médicos estrangeiros sem passarem pelo Revalida, Amaia diz que não vê conflito de interesse na questão.

“A polêmica não tem razão nenhuma, o Brasil precisa de muitos médicos, infelizmente. Eu andei conversando com médicos brasileiros, muitos deles não têm intenção de trabalhar nessas áreas tão pobres, tão rurais, então acredito que não tem nenhum conflito de interesse com os médicos do Brasil e dos estrangeiros, os médicos estrangeiros fazem falta”.

A boliviana Daniela Iriarte está no Brasil há três anos, complementando a formação que teve em seus país com a residência médica. Para ela, a prova pela manhã não foi difícil, mas muito longa. “A prova foi complicada e muito demorada, cansativa”. Ela diz que não vê diferença na formação dos médicos brasileiros e estrangeiros. “Em absoluto, acho que não, a formação não é diferente”.

Miguel Mota, da República Dominicana, que está há sete anos no Brasil estudando cirurgia geral, concorda com Daniela. “Eu acho que o nível entre o brasileiro e o estrangeiro não é diferente, a diferença, se tiver, não tem a ver com a nacionalidade, mas sim com a faculdade que cada um cursou”.

A boliviana Nadia Lorena Gonzales, que faz especialização em pediatria no Brasil há dois anos, considera que a prova do Revalida tem muitas questões teóricas que não correspondem à prática médica. “Não acho ruim ter que fazer uma prova, só que acho que deveria ter conceitos mais básicos, que seriam coisas mais cotidianas. Às vezes são perguntas muito rebuscadas, coisas que você não consegue ver no dia a dia. E também são várias especialidades, na minha área, que é pediatria, tenho quatro anos atuando nessa área, tem coisas como clínica geral que eu tive que estudar de novo para conseguir fazer a prova direitinho”.

A brasileira Thedra Saucha, formada em Cuba, rebate as críticas que os brasileiros com diploma de fora têm recebido, afirmando que no Brasil faltam oportunidades para quem sonha em ajudar a população. “A maioria dos nossos companheiros vai estudar em Cuba pela dificuldade de cursar medicina aqui no Brasil, não é falta de capacidade, e sim de oportunidade. É justamente isso que falta para a maioria de nós, que vem de um ensino público péssimo, não tem dinheiro para pagar um cursinho preparatório para o vestibular de medicina, que é muito concorrido, então a gente tem que recorrer a isso, porque a gente não pode abrir mão do nosso sonho”.

Para ela, o salário oferecido pelo Programa Mais Médicos, e recusado por muitos profissionais brasileiros, é mais do que o suficiente. “Até porque nós estamos sempre baseados em ajudar, não precisariamos de R$ 10 mil para atender o nosso povo, atenderíamos por muito menos. Mas é tão grande a política que fazem em cima da gente, contra a gente, que não permitem nem ao povo ver que existimos”, disse.

Thedra lembra que, apesar das dificuldades enfrentadas pelo país caribenho, Cuba tem uma das melhores medicinas do mundo. “Cuba incomoda porque é uma ilha que não produz praticamente nada, é um país embargado economicamente e mesmo assim consegue ser melhor do que o Brasil em muitos aspectos, então isso dói. É só a gente pegar os índices da OMS, analisar o índice de mortalidade infantil, de mortalidade materna de Cuba, tem resultados muito melhores do que o Brasil. Cuba já exportou para o mundo, em questão de medicina, muito mais do que o Brasil. Cuba inventou o medicamento contra um tipo de vitiligo, a vacina pentavelente, medicamento contra o pé diabético, o projeto médico da família é cubano, copiado pela Noruega, Canadá”, lembra a médica. (Com informações da Agência Brasil)

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