Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil

No Rio, Witzel cogita interditar praias para evitar coronavírus

De acordo com o governo, a orientação é para que as pessoas evitem aglomerações. Witzel anunciou mais cedo outras medidas, como suspensão das aulas e realização de eventos

Fabio Grellet, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2020 | 19h53

RIO - O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou nesta sexta-feira, 13, que pode interditar as praias para evitar a disseminação do novo coronavírus. "Em que pese as praias serem (áreas) de jurisdição federal, o policiamento militar tem a sua obrigação, e nesse caso, tratando-se de uma epidemia, não só o Corpo de Bombeiros como a Defesa Civil, a Polícia Militar e a Guarda Municipal serão acionadas e nós não permitiremos aglomeração na praia. O momento é de ficar em casa, é de aguardar esses 15 dias para que se possa controlar essa epidemia", afirmou o governador.

Essa e outras restrições impostas por meio de decreto estadual publicado nesta sexta-feira serão avaliadas dia a dia, disse Witzel. As medidas podem ser alteradas conforme as circunstâncias exijam.

O secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, confirmou a orientação para as pessoas não irem à praia: "Nesse momento contamos com o bom senso da população. Precisamos evitar aglomerações, então é hora de ficar em casa, não de ir à praia".

Ele admitiu que pedir ao carioca para não ir à praia é "uma heresia", mas alertou que "é preciso se adaptar ao momento".

O governo estadual publicou o decreto que impõe restrições a atividades e eventos com aglomerações em edição extra do Diário Oficial. O texto determina a suspensão, por 15 dias, das seguintes atividades:

  • eventos e atividades com a presença de público, ainda que previamente autorizados, que envolvem aglomeração de pessoas, como eventos esportivos, shows, feiras, eventos científicos, comícios, passeatas e afins;
  • atividades coletivas de cinema, teatro e afins;
  • aulas, sem prejuízo da manutenção do calendário recomendado pelo Ministério da Educação, nas unidades da rede pública e privada de ensino, inclusive nas unidades de ensino superior;
  • visitas aos presídios, inclusive aquelas de natureza íntima;
  • transporte de detentos para realização de audiências de qualquer natureza;
  • visita a pacientes diagnosticados  com o covid-19, internados na rede pública ou privada de saúde;
  • curso do prazo processual nos processos administrativos perante a administração pública do Estado do Rio de Janeiro, bem como o acesso aos autos dos processos físicos.

Embora os templos religiosos não sejam citados, o secretário de Saúde afirmou que cultos religiosos também não devem acontecer.

“Onde estão citados cinemas e teatros, também estão englobadas atividades religiosas. Cada líder religioso deve verificar como prestar assistência aos seus seguidores, sem colocar em risco a saúde deles”, afirmou.

O secretário de Saúde e o governador ressaltaram que ninguém deve entrar em pânico. Afirmaram também que só quem estiver com dificuldades respiratórias deve procurar o sistema de saúde.

“Quem estiver com sintomas comuns de gripe, sem gravidade, deve ficar em casa. Não há tratamento específico para a covid-19, e não devemos sobrecarregar o sistema de saúde”, afirmou Santos. “A situação ainda está sob controle, e este é o momento de tomar precauções. A Itália não tomou providências na hora certa e a taxa de mortalidade é de 5%. A Coréia do Sul tomou, e a mortalidade é de 0,5%. Então, precisamos nos antecipar”.

Witzel e Santos deram entrevista no início da noite desta sexta-feira para expor medidas contra a disseminação do novo coronavírus no Estado Rio. O governador fez um apelo para que o presidente Jair Bolsonaro crie um programa de compensação financeira aos afetados pela paralisação das atividades econômicas e  pelos prejuízos impostos pela pandemia de coronavírus.

“Que use as reservas cambiais, o BNDES ou outro instrumento que julgar adequado”, pediu.

A Prefeitura do Rio também anúnciou a suspensão das aulas e outras medidas para conter o avanço da doença. 

Balanço divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério da Saúde mostra que o Brasil tem 98 casos confirmados da doença, 16 deles no Rio.

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