Nos EUA, 2º caso de Ebola revela falha no sistema de saúde

Obama admite erros na resposta inicial ao vírus; enfermeira infectada fez viagem um dia antes de receber diagnóstico

Cláudia Trevisan, Correspondente

15 Outubro 2014 | 22h23

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira, 15, o segundo caso de contaminação por Ebola dentro do país em menos de uma semana, em uma sucessão de eventos que evidenciam as falhas do sistema de saúde para conter a propagação do vírus. Um dia antes de receber o diagnóstico, a enfermeira Amber Vinson viajou em um avião comercial com 132 passageiros, quando já apresentava febre de 37,5°C.

Amber contraiu o vírus quando tratava de Thomas Duncan, liberiano portador do Ebola que morreu no Hospital Presbiteriano de Dallas, no Texas, no dia 8. Apesar de integrar o grupo que deveria ser monitorado diariamente por ter tido contato com o paciente, a enfermeira viajou para Cleveland e voltou a Dallas na segunda-feira à noite, um dia depois de sua colega Nina Pham ter recebido o diagnóstico da doença e um dia antes de exames indicarem que ela também havia sido contaminada.

Thomas Frieden, diretor do Centro para Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), disse que Amber não poderia ter viajado em um voo comercial. Mas ele ressaltou que o risco de contaminação dos demais passageiros é baixo: a febre era inferior aos 38°C e ela não exibia outros sintomas, como vômito e diarreia. Todos os passageiros, no entanto, serão monitorados.

O presidente Barack Obama reconheceu as falhas na resposta inicial ao Ebola e determinou que o CDC crie grupos de emergência. “Estamos revendo cada passo dado desde que o senhor Duncan foi admitido no hospital em Dallas, para identificarmos onde os problemas podem ter ocorrido”, afirmou, depois de uma reunião de emergência com seu gabinete. Segundo ele, o governo federal vai “monitorar, supervisionar e fiscalizar de maneira muito mais agressiva” a reação ao Ebola.

Duncan chegou ao país no dia 20. Cinco dias mais tarde, procurou o serviço de emergência do hospital e, apesar de apresentar febre e informar que vinha da Libéria, foi dispensado. Ele voltou ao hospital no dia 28, quando foi internado.

Queixa. Profissionais da instituição relataram uma série de deficiências no tratamento do doente à União Nacional de Enfermeiros. “Enfermeiros tiveram de interagir com o senhor Duncan com o equipamento de segurança que tinham à disposição, no período em que ele tinha quantidades copiosas de diarreia e vômito, que produzem fluidos contagiosos”, disse a entidade, em nota.

Na segunda-feira, o diretor do CDC afirmou que o contágio da primeira enfermeira indicava uma “quebra do protocolo”. Obama ressaltou que protocolos são efetivos quando usados de maneira apropriada. “Alguns hospitais não têm essa experiência”, observou.

Amber foi transferida para o Hospital Emory, em Atlanta, onde dois americanos que contraíram o Ebola na África foram tratados com sucesso.

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