Nos EUA, 57% crêem que Deus salva pacientes desenganados

Maioria acha que as pessoas têm o direito de exigir tratamento, mesmo quando médicos dizem que é inútil

AP,

18 de agosto de 2008 | 17h56

Quando se trata de salvar vidas, Deus bate os médicos para muitos americanos.   Uma pesquisa reveladora põe em evidência  a crença generalizada de que uma intervenção divina pode reviver pacientes moribundos. E, disseram os pesquisadores, médicos "precisar estar preparados para lidar com famílias que esperam um milagre".   Mais da metade dos adultos sondados - 57% - disse que a intervenção de Deus poderia salvar um parente, mesmo depois de os médicos declararem que prosseguir com o tratamento seria inútil. E cerca de três quartos disseram que os pacientes têm o direito de exigir tratamento desse tipo.   Quando os pesquisadores pediram aos voluntários que imaginassem seus parentes muito doentes ou gravemente feridos, 20% dos médicos e outros trabalhadores da saúde ouvidos disseram que Deus poderia reverter um prognóstico sem esperanças.   "Sensibilidade à crença promoverá uma relação de confiança" com os pacientes e suas famílias, dizem os pesquisadores. Essa confiança, afirmam, é necessária para que os médicos consigam explicar as evidências científicas que mostram que prosseguir com o tratamento é um desperdício.   A pesquisa, publicada na edição desta segunda-feira do periódico Archives of Surgery, envolveu 1.000 adultos norte-americanos, selecionados aleatoriamente para responder a perguntas por telefone sobre suas idéias a respeito de tratamento médico terminal. Essas pessoas foram ouvidas em 2005, juntamente com 774 profissionais de saúde, que preencheram questionários.   As questões da pesquisa tratavam mais de mortes inesperadas, causadas por traumas como acidentes ou crime.   O principal autor do trabalho, o médico Lenworth Jacobs, explica que os tratamentos de trauma evoluíram muito, permitindo que pacientes que antes morreriam na cena do desastre sobrevivam até o hospital. Isso significa que os médicos "envolvem-se muito mais no processo da morte".   Jacobs disse que freqüentemente encontra pessoas que acreditam que Deus salvará o moribundo, e que querem que o tratamento prossiga. "Você não pode virar e dizer, 'isso é besteira'. É preciso respeitar" e mostrar as radiografias e tomografias que indicam que a morte é iminente, argumenta.   As famílias às vezes insistem a ponto de, em alguns casos, forçar os hospitais a entrar na justiça para interromper tratamentos considerados inúteis pelos especialistas.   O médico Michael Sise, um católico que trabalha em um hospital católico, considera o novo estudo "uma grande contribuição". Ele disse que milagres não acontecem quando a evidência médica mostra que a morte está próxima.

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