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Nos EUA, Ebola faz escola suspender aulas

Alunos e funcionários de instituições de Ohio e Texas estavam em voo de enfermeira infectada; seis tripulantes ficarão de licença 

Cláudia Trevisan, Correspondente

16 Outubro 2014 | 21h40

WASHINGTON - Escolas nos Estados de Ohio e Texas suspenderam as aulas nesta quinta-feira, 16, depois de receberem a informação de que alguns de seus alunos e funcionários entraram em contato com a enfermeira Amber Vinson, diagnosticada com Ebola na noite de terça-feira.

A divulgação do caso também levou a companhia aérea Frontier Airlines a ampliar a identificação de seus passageiros para cinco voos realizados no mesmo avião em que Amber viajou. Seis tripulantes - dois pilotos e quatro comissários - do voo terão licença remunerada por 21 dias.


A enfermeira embarcou na noite de segunda de Cleveland, Ohio, para Dallas, no Texas, depois de consultar funcionários dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) e receber o sinal verde para viajar, apesar de registrar febre de 37,5ºC. Segundo a rede CNN, a enfermeira pode ter exibido sinais da doença desde sexta-feira, ampliando o período de potencial transmissão do vírus.

Na quarta, o diretor do CDC, Thomas Frieden, havia afirmado que Amber não poderia ter embarcado em um voo comercial. Em depoimento na Câmara de Representantes, mudou de posição e reconheceu que a enfermeira havia recebido autorização da instituição que dirige para estar no voo 1143 da Frontier Airlines, que tinha 132 passageiros. 

A mesma aeronave foi usada no dia seguinte em cinco voos, antes de ser retirada de operação para substituição de estofados e carpetes. São essas pessoas que a empresa começou a identificar nesta quinta.

Na Câmara, Frieden repetiu que o risco de contaminação dos que tiveram contato com a enfermeira é baixo, uma vez que ela não tinha febre elevada nem apresentava outros sintomas da doença, como vômito ou diarreia. Mas algumas escolas dos dois Estados preferiram suspender as aulas para desinfetar instalações e ônibus escolares. Alunos e funcionários que estavam no voo podem ser orientados a permanecer em casa pelos próximos 21 dias - período de incubação do vírus.

Na mesma sessão da Câmara dos Representantes, o diretor clínico do Hospital Presbiteriano de Dallas, Daniel Varga, se desculpou pelos “erros” cometidos na reação ao primeiro caso diagnosticado no país. O serviço de emergência do hospital foi procurado no dia 25 por Thomas Duncan, que apresentava febre de quase 40°C e informou que havia chegado cinco dias antes da Libéria, país que registra o maior número de casos da doença no mundo. Ainda assim, a equipe que o atendeu não suspeitou que ele estivesse com o vírus.

Pressionado por parlamentares, Varga admitiu que a equipe do hospital não teve treinamento específico sobre Ebola. Amber e outra enfermeira, Nina Pham, foram infectadas quando cuidavam de Duncan. O liberiano foi internado no dia 28 de setembro e morreu no dia 8.

“Apesar de nossas melhores intenções e de um time médico altamente qualificado, nós cometemos erros”, disse Varga. Nina foi transferida para o Instituto Nacional de Saúde de Bethesda, no Estado de Maryland. 

Transferência. Ela foi diagnosticada no domingo e vinha sendo tratada no Hospital Presbiteriano de Dallas. Na quarta, Amber Vinson foi transferida para o Hospital Emory, em Atlanta. As duas instituições já trataram casos com sucesso.

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