Tiago Queiroz/ Estadão
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Nova restrição em SP é correta, mas governo deveria ter adotado há 2 ou 3 semanas; leia análise

Reduzir circulação de pessoas é essencial para frear vírus; alívio para o sistema de saúde deve demorar mais que 14 dias

Gonzalo Vecina*, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 05h00

O conjunto de medidas tomadas para o Estado de São Paulo está próximo do que deveria ser, mas o governador João Doria (PSDB) ainda fez muitas concessões, particularmente no que diz respeito às igrejas (há veto a celebrações coletivas, mas é liberado o atendimento individual) e escolas privadas. A ideia seria limitar ao máximo a circulação de pessoas para reduzir casos. Talvez apertar o que pudesse ser apertado agora fosse a atitude mais correta  para que pudéssemos ter queda nos números, como em Araraquara, no interior.

É inteligente a ideia de não reduzir a circulação de ônibus, manter a frota na rua para diminuir a probabilidade de haver ônibus cheios e manter o ciclo de contaminação nestes espaços. Pedir para que as empresas façam parte do esforço para o escalonamento do funcionamento de indústria, comércio e atividade escolar também é importante. Mas deveria fechar toda atividade escolar para diminuir o trânsito de pessoas - exceto a entrega de alimentação para crianças da rede pública.

 

E, com certeza, essas decisões demoraram. Deveriam ter sido implementadas há duas ou três semanas, um pouco depois de Araraquara, que iniciou este ciclo. A cidade do interior demorou uma semana, mas tomou todas as decisões que deveriam ser tomadas. As novas medidas do governo do Estado já poderiam começar hoje.

Temos de manter nossa capacidade de responder com a rede de saúde. Reforçar equipes hospitalares, pois não dá para criar hospitais de campanha de repente. Para desafogar a rede, demora mais que os 14 dias. Estas duas semanas de restrição vão propiciar queda de casos, porém  até o fim do 14º dia enviaremos gente ao hospital. E as pessoas demoram de 15 a 20 dias para se salvar ou, infelizmente, morrer.

*É MÉDICO SANITARISTA, EX SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO E COLUNISTA DO ESTADÃO

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