Nova técnica permite extração de rim para doação pelo umbigo

Procedimento poderá tornar a doação algo mais aceitável, diminuindo o tempo de recuperação

AP

17 de julho de 2008 | 18h10

Brad Kaster doou um rim para seu pai essa semana, e ele mal tem uma cicatriz para mostrar.  O rim foi removido por uma pequena incisão em seu umbigo, um procedimento cirúrgico que os médicos da Clínica Cleveland dizem que vai reduzir o tempo de recuperação e deixar quase nenhuma cicatriz.  "A incisão feita em mim é tão pequena que não tenho nenhuma dor nela", disse Kaster, de 29 anos, na quarta-feira, 16. "Eu mal posso vê-la." Kaster foi o décimo doador a passar pelo procedimento na Clínica. O médico Inderbir S. Gill e sua equipe realizaram pela 11ª vez nesta quinta-feira, 17, o procedimento que, Gill diz, poderá tornar a doação algo mais aceitável, diminuindo o tempo de recuperação. Mais de 80 mil americanos estão esperando por doações de rins. No ano passado, houve cerca de 13,3 mil doadores de rins no país, dos quais 45% eram doadores vivos, de acordo com Organ Procurement and Transplantation Network. Os dez primeiros doadores e receptores cujos transplantes foram realizados com a nova técnica estão bem, disseram o pesquisadores. O relatório sobre os quatro primeiros pacientes sai na edição de agosto do Journal of Urology. Dados preliminares dos nove primeiros doadores mostraram que eles se recuperaram em menos de um mês, enquanto doadores da técnica antiga, a laparoscopia, que faz de quatro a seis incisões, levaram mais de três meses para se recuperarem. "Para mim, é muito bom que eu possa voltar ao trabalho", disse Kaster, que é autônomo.  Pacientes do novo procedimento tomaram remédios para a dor menos de quatro dias, na média, diferentemente dos pacientes da laparoscopia, que foram medicados por 26 dias.  "Isso vai aumentar o incentivo para a doação de rim? Eu acredito que sim", disse Gill.  Paul Curcillo e Stephanie King, da Drexel University College of Medicine na Filadélfia, desenvolveram a técnica da incisão única. Curcillo disse que o procedimento do umbigo "vai definitivamente facilitar as coisas" para o doador. "Um doador é uma das pessoas mais altruístas que você pode conhecer. Ele está abrindo mão de seu rim. Então, qualquer coisa que você possa fazer para melhorar as coisas para o paciente, ele merece", disse.  O novo procedimento consistem em fazer uma incisão de dois centímetros no interior do umbigo e inserir uma ferramenta semelhante a um tubo com uma câmera, e outras ferramentas. A barriga é inflada com dióxido de carbono para fornecer espaço de manobra. O rim é então liberado de seu tecido conjuntivo, enrolado em um plástico e removido pela incisão, expandida para 3,2 centímetros, por onde passa depois de sofrer um corte na circulação sanguínea, o que diminui consideravelmente seu tamanho.

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