Nova técnica reduz replicação do vírus HIV em camundongos

Método usa moléculas de RNA para sabotar infecção; tecnologia poderia combater outros vírus

Fernanda Bassette, especial para o Estado

19 Janeiro 2011 | 20h20

SÃO PAULO - Uma nova técnica desenvolvida por pesquisadores americanos para combater a multiplicação das células infectadas pelo HIV demonstrou ser bastante promissora no controle do vírus, ao menos em camundongos.

Cientistas do Beckman Research Institute, nos EUA, conseguiram desenvolver em laboratório uma combinação de moléculas de RNA que, quando aplicadas no sangue dos animais, procuram e invadem as células infectadas pelo HIV, preservando as saudáveis. Os resultados foram publicados na mais recente edição da revista Science.

Essa molécula combinada funciona como uma espécie de míssil guiado: ao localizar as células doentes, ela se liga à cápsula que envolve o HIV e inicia um processo de degradação do vírus, impedindo que ele continue o processo de replicação.

“O RNA assume uma forma específica, que se une seletivamente à proteína da capa do vírus HIV”, afirmou por e-mail o professor John J. Rossi, um dos autores principais do estudo.

A substância foi aplicada nos ratos diariamente, várias vezes por dia. Segundo os pesquisadores, ela age por cerca de 12 horas. Como camundongos geralmente não se contaminam pelo HIV, os pesquisadores os deixaram totalmente imunodeprimidos e, em seguida, injetaram células humanas saudáveis e depois o HIV.

Os cientistas perceberam que, ao aplicar essa substância no sangue dos animais, houve uma forte queda nas concentrações de HIV, o que demonstra que aconteceu um bloqueio da multiplicação viral e uma proteção dos níveis de CD4 (células de defesa).

“Há muito tempo a ciência desenvolveu essa técnica de interferência de RNA, mas apenas em laboratório, com cultura de células. É a primeira vez que um grupo consegue realizar essa experiência em células vivas de um modelo animal”, afirma o infectologista Esper Kallás, professor e pesquisador da USP.

Para Kallás, os resultados são importantes não apenas para combater o HIV, mas também outras doenças. “Teoricamente, você pode aplicar a mesma técnica para qualquer outro vírus, até mesmo para algo relacionado ao câncer. Ainda há muitas respostas a serem esclarecidas, mas, se for comprovado que a técnica não traz riscos e funciona em humanos, com certeza será uma aliada ao tratamento", avalia.

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