Josué Damacena/IOC/Fiocruz
Josué Damacena/IOC/Fiocruz

Nova variante do coronavírus identificada em Sorocaba pode ter origem local, afirma governo de SP

Durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 31, membros do Centro de Contingência da Covid-19 afirmaram que a mutação poderia ser uma evolução da variante brasileira P.1

João Ker e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2021 | 15h50

Membros do Centro de Contingência da Covid, do governo de São Paulo, afirmaram durante coletiva nesta quarta-feira, 31, que a nova variante do coronavírus identificada em uma paciente de Sorocaba, no interior paulista, ainda não representa um perigo alarmante. Na avaliação apresentada, a mutação identificada seria similar àquela registrada na África do Sul, mas informações preliminares apontam para a possibilidade de que ela seja uma evolução natural da variante brasileira P.1.

"Precisamos determinar qual a real incidência desta nova variante, porque até o momento é um caso no universo de pandemia da P.1. Se for só um [caso], são as medidas que estão em andamento. Fora isso, é o acompanhamento genômico e sequenciamento para acompanhar o surgimento dessas novas variantes, o que é esperado para esse momento", afirmou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan

A paciente na qual a mutação foi identificada não viajou à África do Sul ou teve contato com qualquer pessoa daquela região, o que fortaleceria a tese de que a variação é uma evolução da P.1. Também foram encontradas "assinaturas" da cepa original do coronavírus, o que indicaria uma origem local da variante. 

Além dessa paciente, de 34 anos, o marido dela e um filho apresentaram os mesmos sintomas, mas apenas a amostra colhida dela já foi sequenciada por laboratório vinculado ao Instituto Butantan. Conforme a prefeitura de Soroacaba, foi identificada a semelhança com a cepa sul-africana, mas não se conseguiu estabelecer o vínculo epidemiológico. Como a variante já apresenta algumas mutações em relação à africana, pode se tratar de uma nova cepa.

A família mora no bairro Paineiras, zona norte da cidade, e apresentou sintomas de covid-19 no início de março. As coletas de amostras foram feitas entre 5 e 9 de março. Conforme o secretário municipal de Saúde, Vinícius Rodrigues, a família não saiu da cidade, nem teve contato com viajantes sul-africanos. “A paciente é dona de casa e o filho não estava indo à escola. O marido estava de férias, por isso ainda não se sabe como essa variante chegou até a casa.” Segundo ele, foram reforçadas as medidas de controle para evitar que o novo vírus se espalhe.

Ainda na semana passada, pesquisadores da Fiocruz alertaram para a circulação de novas mutações da covid-19 no País, mas em uma quantidade pequena das amostras, o que não configuraria ainda o surgimento de novas variantes. “Vale ressaltar que as novas mutações foram, até o momento, detectadas em baixa frequência, apesar de encontradas em diferentes Estados”, afirmou a virologista Paola Cristina Resende.

De acordo com Covas, a situação da paciente de Sorocaba e dos familiares tem sido acompanhada pela Secretaria de Saúde e pela Vigilância Sanitária. Ainda não se sabe qual seria o grau de contágio, transmissão e letalidade da nova variante.

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