Matt Rourke/AP
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Nova variante expõe urgência de melhor distribuição de vacinas; leia análise

Única maneira de vencermos a covid-19 é atuarmos coletivamente – essa é a essência da saúde pública

Pedro Hallal*, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2021 | 05h01

O surgimento da nova variante na África escancara a necessidade da equidade na distribuição de vacinas contra a covid-19. É também um tapa na cara daqueles que defendem um modelo individualista, e até certo ponto egoísta, de enfrentamento da pandemia. A única maneira de vencermos a covid-19 é atuarmos coletivamente – essa é a essência da saúde pública.

Em 1985, o epidemiologista inglês Geoffrey Rose publicou um texto histórico denominado “Indivíduos doentes, populações doentes”. No texto, ele mostra o quanto uma abordagem populacional é mais efetiva do que uma abordagem individual para “vencer” uma doença que afeta a população.

Mais de 35 anos depois, o texto de Rose é cada vez mais atual. Vacinar com 10 doses um único indivíduo é muito menos efetivo para controlar a doença do que vacinar 10 indivíduos com uma dose. Em outras palavras, não adianta vacinar 70% da população em alguns países da Europa, América do Norte e menos de 10% da população da África.

Isso faz com que o vírus siga circulando nos locais com baixa vacinação, facilitando o surgimento de variantes. E essas variantes rapidamente podem (e vão) se espalhar mesmo nos países com altas taxas de vacinação. Ou o mundo prioriza a equidade vacinal, ou a covid-19 continuará a ser essa montanha-russa com altos e baixos por muitos anos.

*Epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas

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