Novas pesquisas britânicas comprovam benefícios de uma aspirina diária

Estudo indica que dose em pessoas acima de 45 anos pode evitar doenças cardíacas e câncer

Efe

24 Novembro 2010 | 17h56

LONDRES - Pessoas com mais de 45 anos deveriam cogitar ingerir uma pequena dose diária de aspirina para se proteger contra doenças cardiovasculares e câncer, segundo a conclusão de um painel de analistas divulgada nesta quarta-feira, 24, pelo jornal britânico The Daily Telegraph.

De acordo com os participantes de um ato da Real Sociedade de Medicina do Reino Unido, há cada vez mais provas de que os benefícios da aspirina para as pessoas de meia-idade ou mais superam os eventuais efeitos secundários.

Um estudo de cientistas da Universidade de Oxford, publicado na revista médica The Lancet indica que tomar diariamente 75 miligramas de aspirina durante 5 anos reduz em 25% o risco de adoecer de câncer do cólon e em um terço as mortes por essa causa.

Pesquisas anteriores assinalam que uma pequena dose diária de aspirina poderia reduzir o risco de sofrer doenças cardiovasculares. Conforme o atual trabalho, uma maior ingestão de aspirinas poderia salvar milhares de vidas por ano. Só na Grã-Bretanha, morrem 150 mil pessoas anualmente em consequência de câncer e 200 mil por alguma doença cardiovascular.

O professor Peter Rothwell, neurologista de Oxford que dirigiu o estudo sobre câncer colorretal e participou do debate, disse que ele mesmo havia começado a tomar sua dose diária de aspirina. "Suspeito que, dentro de 5 ou 10 anos, estaremos receitando aspirinas às pessoas de meia-idade e não só pelos benefícios vasculares que se conhecem", afirma.

Rothwell considera que seria "sensato" que as pessoas começassem a tomar aspirinas aos 45 anos porque, entre os 40 e os 55, aumenta significativamente o risco de desenvolver algum tipo de câncer.

O professor Peter Elwood, da Faculdade de Medicina da Universidade de Cardiff, também no Reino Unido, que dirigiu o primeiro estudo sobre os efeitos da aspirina nas doenças cardiovasculares, destacou que "estamos diante de um marco de enorme importância para a comunidade em geral".

Outros analistas advertem, no entanto, que a substância pode dobrar a incidência de hemorragias gastrointestinais, cuja incidência atual é de uma para mil pessoas por ano.

Para o professor de genética John Burns, da britânica Universidade de Newcastle, "o problema é que, se recomendarmos algo a toda a população, teremos de enfrentar os efeitos secundários".

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