Novo coquetel de drogas funciona para tratar grávidas com malária

Pesquisadores submeteram a tratamento 304 ugandenses no 2º e 3º trimestres de gestação

Efe

06 Outubro 2010 | 18h43

LONDRES - Uma nova combinação das drogas artemisinina e lumefantrina mostrou-se tão eficaz e segura quanto o quinino oral no tratamento de malária em mulheres grávidas em Uganda, além de ter menos efeitos colaterais, segundo um estudo publicado na revista científica The Lancet Infectious Diseases.

A pesquisa mostrou que o tratamento, administrado em casos de malária simples, elimina o parasita do gênero Plasmodium e oferece uma taxa de cura de 95%. Além disso, era mais tolerado pelas pacientes que o quinino convencional - que, apesar de ser considerado uma boa alternativa para o período de gestação, seus numerosos efeitos colaterais fazem com que muitas mulheres não sigam o processo à risca.

Para chegar a essa conclusão, foram analisadas 304 mulheres no segundo e no terceiro trimestres de gravidez, que foram submetidas a diferentes tipos de tratamento, com ACT ou quinino. As avaliações foram feitas semanalmente, até a data do parto ou o 42º dia de tratamento (maior período).

A cada ano, entre 75 mil e 200 mil crianças morrem como resultado de infecção por malária durante a gravidez. Em 2006, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou a administração de tratamentos combinados com artemisinina (ACT) para gestantes no segundo e terceiro trimestres.

Apesar disso, existem poucos estudos que comparam os efeitos dos diferentes tratamentos de malária nesse período, e a maioria foi realizada no sudeste asiático, onde há pouca incidência de transmissão da doença. Faltavam, portanto, levantamentos em regiões da África, onde a malária é endêmica.

No atual estudo, uma equipe liderada por Patrice Piola, da empresa de biologia molecular Epicentro, na França, em parceria com a Universidade de Oxford, na Inglaterra, comprovou que o ACT mais comum, arteméter-lumefantrina, é seguro e eficaz para o tratamento de malária simples em mulheres grávidas no leste africano.

Em 42 dias, 99,3% das pacientes que tomaram arteméter-lumefantrina foram curadas, em comparação com 97,6% daquelas que haviam sido tratadas com quinino.

Os cientistas também descobriram que 142 mulheres tratadas com quinino tiveram efeitos colaterais como náuseas, vômitos, anorexia e zumbidos, o que, em alguns casos, forçou as pacientes a abandonar o tratamento.

Em comparação, apenas 94 do grupo de terapia combinada tiveram efeitos colaterais, que também foram mais leves (como dores abdominais, dor de cabeça e sintomas semelhantes aos da gripe).

Devido à sua eficácia e menos efeitos colaterais, os pesquisadores recomendam que mulheres grávidas com malária simples recebam tratamento combinado de terapia com derivados de artemisinina, e destacam que o preço desses compostos tem caído.

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