Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Novo coronavírus entrou no Brasil de formas distintas, diz estudo genômico

Pesquisadores de instituições brasileiras e britânicas realizaram o sequenciamento de 427 genomas do Sars-CoV-2, de 21 Estados do País

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2020 | 16h01

RIO - O novo coronavírus entrou no Brasil de forma distinta pelo menos cem vezes — na maioria, vindo da Europa. A maior parte dessas introduções foi identificada nas capitais com maior incidência de voos internacionais como São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Rio de Janeiro. Apenas uma pequena parcela dessas introduções, no entanto, resultou nas linhagens que se dispersaram por transmissão comunitária no País.

Um novo estudo revela que 76% dos vírus detectados até o final de abril se dividem em três grandes grupos que foram introduzidos entre o final de fevereiro e o início de março e se espalharam rapidamente pelo País antes que as medidas de controle de mobilidade fossem iniciadas. Os resultados foram obtidos por uma força-tarefa composta por pesquisadores de 15 instituições brasileiras (em conjunto com instituições britânicas), que realizaram o sequenciamento de 427 genomas do novo coronavírus, o Sars-CoV-2, de 21 Estados do País.

O estudo foi publicado na revista científica Science, nesta quinta-feira, 23, com amostras colhidas de pacientes que testaram positivo para o novo coronavírus entre os meses de março e abril em 85 municípios. Trata-se do maior estudo de vigilância genômica da covid-19 na América Latina. Nesse estudo, os pesquisadores combinaram dados genômicos de Sars-CoV-2 com dados epidemiológicos e de mobilidade humana para investigar a transmissão do vírus em diferentes escalas e o impacto das medidas de intervenção não farmacêuticas (INFs) no controle da epidemia no País.

Os resultados demostram que as INFs, como fechamento das escolas e comércio no final de março, embora insuficientes, ajudaram a reduzir a taxa de transmissão do vírus, que foi estimada no início do período em superior à 3 para valores entre 1 e 1,6 tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. As amostras foram sequenciadas e processadas no Laboratório de Bioinformática do Laboratório Nacional de Computação Científica LNCC/MCTI, coordenado por Ana Tereza Vasconcelos.

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