ANDREA PATTARO/ AFP
Turistas na Itália usam máscaras cirúrgicas nas ruas, por medo de coronavírus ANDREA PATTARO/ AFP

Novo coronavírus já infectou mais de 80 mil pessoas em todo o mundo

Segundo o governo chinês, já são 2.663 mortes entre 77.658 casos, principalmente na província central de Hubei; Sobe número de casos confirmados na Itália e de mortes no Irã

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 07h55
Atualizado 25 de fevereiro de 2020 | 11h58

Mais de 80 mil casos do novo coronavírus já foram notificados em todo o mundo. A doença, que se concentrava na China, atinge outros países da Ásia, e provoca preocupação em países da Europa e do Oriente Médio. Somente na China continental já são 2.663 mortes entre 77.658 casos, principalmente na província central de Hubei. Pelo menos 35 países relatam casos confirmados, que já passam de 2,5 mil e ao menos 40 mortes.

Receio global 

Atrás somente da China, a Coreia do Sul também relatou que possui pelo menos 977 confirmações e o número de mortos subiu de 7 para 11 nesta terça-feira, 25.

O medo da doença também isolou ao menos 11 cidades na Itália, cancelou carnaval de Veneza, evento de moda em Milão e provocou o fechamento de escolas e igrejas, principalmente nas regiões do norte de Lombardia e Veneto.  

Pelo menos 283 pessoas foram infectadas pelo vírus e sete morreram no país europeu. O número aumentou em razão de casos notificados entre segunda e terça-feira pelo Departamento de Proteção Civil italiano. O surto se concentra principalmente no norte do país, onde ao menos 11 cidades foram colocadas sob quarentena. Cerca de 100 mil pessoas nessas regiões enfrentam viagens e outras restrições. 

  • Lombardia: 212 casos e seis mortes
  • Vêneto: 38 casos e uma morte
  • Emília-Romanha: 23 casos 
  • Piemonte e Lazio: 3 casos cada
  • Sicília e Trentino: 1 caso cada
  • Toscana: 2 casos 

O primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte mantém otimismo nesta terça-feira de que o sistema de saúde italiano poderá enfrentar o novo coronavírus.

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Nosso sistema de saúde é excelente, nossas medidas de precaução são de extremo rigor e acreditamos que, em virtude das disposições combinadas, um sistema de excelência de saúde e uma linha política de política de saúde de extremo rigor promoveremos um efeito de contenção do disseminação do vírus
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Giuseppe Conte, primeiro-ministro italiano

Nos últimos dias, a Áustria interrompeu temporariamente o tráfego ferroviário através de sua fronteira com a Itália. 

A Croácia confirmou o primeiro caso. Recentemente, o paciente esteve na Itália. Duas pessoas também tiveram teste positivo para a doença na Áustria, confirmou governo do país.

Nas Ilhas Canárias, na Espanha, um hotel foi isolado, depois que foi confirmado que um médico italiano visitante estava com o novo coronavírus.

Nesta terça-feira, Hong Kong anunciou que as escolas permanecerão fechadas pelo menos até 19 de abril para impedir a propagação do novo coronavírus. Jão são 81 casos, incluindo duas mortes.

Como precaução, o aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, interromperá as conexões com o Irã, exceto para a capital Teerã. "Todos os passageiros que chegam em vôos diretos de Teerã receberão triagem térmica no aeroporto", disse um porta-voz do aeroporto.  Mais de 86 milhões de pessoas viajaram ppelo aeroporto de Dubai no ano passado, considerado um dos mais movimentados do mundo.

A medida ocorre em razão dos casos que se espalham pelo Irã. O Ministério da Saúde iraniano confirmou 95 casos e 15 mortos. Na segunda-feira, o parlamentar Ahmad Amirabadi Farahani da cidade de Qom acusou o governo de não falar a verdade sobre o registro de mortos pela doença.

O vice-ministro da Saúde do Irã, Iraj Haririchi, que apareceu na televisão suado e tossindo para alertar os iranianos sobre o novo coronavírus na segunda-feira, foi diagnosticado com a doença nesta terça-feira.

No Irã, escolas foram fechadas e começou a higienização diária dos ônibus e do metrô de Teerã, usados por 3 milhões de pessoas diariamente.

Na segunda-feira, 24, foram notificados casos para a doença no Kuwait (8) e em Omã (2), ambos países árabes.

Iraque, Afeganistão e Bahrein também registraram os primeiros casos na segunda-feira. Todos os pacientes infectados tinham ligações com o Irã.

Organização Mundial da Saúde

Como os surtos cresceram em mais países, a Organização Mundial de Saúde disse que o COVID-19 tinha potencial para ser uma pandemia, mas ainda não o era.

"As últimas semanas demonstraram a rapidez com que um novo vírus pode se espalhar pelo mundo e causar amplo medo e perturbações", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Mas "no momento não estamos testemunhando a disseminação global e contida deste vírus", disse ele.

Diamond Princess

Nesta terça-feira, o Ministério da Saúde do Japão informou que morreu um passageiro de 80 anos do navio Diamond Princess, que estava em quarentena no país asiático. Esta é a quarta vítima fatal. 

No entanto, a causa da morte ainda não foi confirmada e não foram fornecidos detalhes se o passageiro havia testado positivo para o novo coronavírus.

O Diamond Princess ficou atracado em na cidade japonesa Yokohama por duas semanas, enquanto estava em quarentena, e quase 700 casos de coronavírus foram ligados ao navio. / Com agências internacionais AP, TNYT, BBC e CNN

Brasil vai monitorar passageiros vindos de Itália, França e Alemanha

Ministério da Saúde adicionou na segunda-feira países na lista de alerta do novo coronavírus, incluindo os primeiros três da Europa: Itália, Alemanha, França. Além desses, entram no rol do governo federal Austrália, Filipinas, Malásia, Irã e Emirados Árabes.

Isso significa que serão considerados suspeitos da doença passageiros que estiveram nesses locais e que apresentem sintomas da doença, como febre e tosse. O novo enquadramento, antecipado pelo Estado, é resultado da confirmação da transmissão do vírus dentro desses países.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, disse que o Brasil seguiu orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ampliar a lista de países em alerta. O critério da organização, segundo Oliveira, é inserir na lista os locais com ao menos cinco casos com transmissão interna da doença - que não foram "importados".

Oliveira afirmou que o Brasil não cogita adotar medidas restritivas, como impedir a circulação de pessoas ou mercadorias. O secretário disse que medir a temperatura de todos os passageiros vindos de países sob alerta também seria ineficaz. "Muitos casos se transmitem mesmo sem febre. Ou seja, temos situações que passam fora deste padrão."

"O que estamos trabalhando é para que equipes de saúde estejam atentas. Para que no momento em que uma pessoa que tem histórico de viagem (por um das países da lista) procurar serviços de saúde, seja investigado também a possibilidade de novo coronavírus", afirmou o secretário. 

Em conversa exclusiva com o Estadão/Broadcast na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que o Brasil está acompanhando a situação do novo coronavírus na Itália e seguirá as orientações da OMS para evitar que a epidemia chegue ao País.  "Não faríamos nada isoladamente", disse o ministro.

Confira a lista atualizada de casos confirmados e mortes:

  • China: 77.658 casos e 2.663 mortes
  • Macau: 10 casos
  • Hong Kong: 81 casos e 2 mortes
  • Coréia do Sul: 977 casos e 11 mortes
  • Japão: 840 casos, 4 mortes (693 casos do navio Diamond Princess)
  • Cingapura: 90 casos
  • Austrália : 22 casos
  • Malásia: 22 casos
  • Vietnã: 16 casos
  • Filipinas: 3 casos e 1 morte
  • Camboja: 1 caso
  • Tailândia: 37 casos
  • Índia: 3 casos
  • Nepal: 1 caso
  • Sri Lanka: 1 caso
  • Estados Unidos: 53 casos
  • Canadá: 11 casos
  • Itália: 283 casos e 7 mortes
  • Alemanha: 16 casos
  • França: 12 casos e 1 morte
  • Reino Unido: 13 casos
  • Rússia: 2 casos
  • Espanha: 2 casos
  • Bélgica: 1 caso
  • Finlândia: 1 caso
  • Israel: 2 casos
  • Suécia: 1 caso
  • Croácia: 1 caso
  • Áustria: 2 casos
  • Irã: 95 casos, 14 mortes
  • Emirados Árabes Unidos: 9 casos
  • Kuwait: 8 casos
  • Omã: 2 casos
  • Egito: 1 caso
  • Líbano: 1 caso
  • Iraque: 1 caso
  • Afeganistão: 1 caso
  • Bahrein: 2 casos

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Coronavírus: O que você precisa saber para viajar para a Itália

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: País acumula 283 pessoas afetadas pelo novo vírus; sete morreram e um paciente foi curado

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 08h46

O avanço do novo coronavírus pela Itália despertou a atenção dos brasileiros para uma série de questões envolvendo viagens para o país europeu. Enquanto brasileiros na Itália relatam ruas vazias e corrida por máscaras nas regiões mais afetadas, as dúvidas por aqui giram em torno de eventuais restrições impostas para quem pretende viajar para o país, quais são as regiões mais afetadas e, até mesmo, quais os procedimentos para cancelar uma viagem, se assim desejar. 

Para sanar essas e outras dúvidas, o Estado publicou um perguntas e respostas específico sobre a situação na Itália, país que acumula 283 pessoas afetadas pelo novo coronavírus, sete mortes e uma pessoa curada - os dados são oficiais do ministério da saúde italiano e atualizados até esta terça-feira, 25, às 12h (horário local de Roma); Confira o perguntas e respostas

Há alguma restrição de viagem à Itália por causa do novo coronavírus?

Por enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) não fez nenhuma recomendação deste tipo e o Brasil também não deu essa orientação para a população. Alguns países, porém, já estão tomando essa decisão, como Bósnia, Croácia, Macedônia, Sérvia, Irlanda, Israel, de acordo com o jornal italiano La Repubblica. Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos recomendaram a seus viajantes cuidado. Já a França está colocando em quarentena viajantes que retornarem da Lombardia e do Vêneto, as mais afetadas, também de acordo com o jornal. O governo brasileiro só tem recomendado evitar viagens à China. 

Quais regiões da Itália são as mais afetadas?

A porção norte da Itália é a que concentra a maior parte dos 229 casos já identificados, em especial os estados da Lombardia e do Vêneto. Pelo menos 11 cidades foram colocadas em quarentena: Casalpusterlengo, Codogno, Castiglione d'Adda, Fombio, Maleo, Somaglia, Bertonico, Terranova dei Passerini, Castelgerundo e Sanfiorano, na região da Lombardia, onde vivem cerca de 50 mil pessoas, e Vo 'Euganeo, no Vêneto, com quatro mil habitantes.

Devo cancelar minha viagem à Itália?

Apesar de a taxa de transmissão ser alta, a maior parte dos casos é leve e a taxa de mortalidade é de 3% para os casos mais graves. Pessoas jovens, sem nenhuma outra comorbidade, podem viajar, mas é preciso tomar precauções, visto que a doença pode ser transmitida, mesmo não causando sintomas.  Segundo a OMS, dos registros na Itália, quatro em cada cinco infectados tiveram sintomas leves ou nenhum sintoma.  

Se quiser cancelar a viagem, a companhia aérea me reembolsa?

O Código de Defesa do Consumidor estabelece que é direito do consumidor a proteção à sua vida e sua saúde, então, diante da epidemia, é possível negociar com companhias aéreas e agências de turismo. Como ainda não há recomendação da OMS para se evitar viagens, a decisão deve ser tomada caso a caso. Viajantes que iriam para eventos que forem cancelados também podem usar isso como argumento.

Se viajar à Itália, quais cuidados devo tomar?

Os cuidados são semelhantes aos da gripe. Lavar sempre as mãos, manter distância de 1,5 metro a 2 metros das pessoas infectadas ou que apresentem algum tipo de infecção respiratória, principalmente se forem provenientes de alguma região de risco. Outra medida que pode ajudar é o uso de máscaras.

Embaixada do Brasil em Roma afirma que governo não restringiu voos vindos da Itália

A embaixada do Brasil em Roma informou na manhã desta terça-feira, em nota, "que o governo brasileiro não estabeleceu restrições a voos provenientes da Itália" por causa do avanço do novo coronavírus naquele país. O órgão diplomático relatou manter contato com o governo italiano sobre a doença, para esclarecer a comunidade brasileira naquele país. "Até o momento, não se tem notícia de contágio na comunidade brasileira", relatou.

Na nota, a embaixada brasileira relata que o governo italiano toma as medidas necessárias para conter a difusão do vírus, principalmente nas regiões do norte do país. A embaixada cita um comunicado do governo local com uma série ações previstas e tomadas para frear o coronavírus.

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Brasileiros na Itália relatam ruas vazias e corrida por máscaras por causa de coronavírus

Norte de país europeu suspendeu eventos e até tradicional carnaval de Veneza; existe muito alarmismo, diz arquiteto

Marcelo Lima, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 05h01

Há três anos em Milão, o primeiro contato da jornalista brasileira Mari di Pilla com a situação de pânico por causa do novo coronavírus se deu na quinta-feira, 20, durante um desfile na semana de moda local. “Já se comentava bastante, mas ninguém ainda usava máscara. No dia seguinte, tudo mudou e o uso se generalizou. Até que no domingo dois desfiles importantes foram cancelados”, conta. No país europeu, já foram confirmadas sete mortes e há mais de 280 casos da doença

Um decreto do Ministério da Saúde, com disposições específicas e destinadas aos residentes da Lombardia, foco do surto em 11 cidades, cancela eventos e pede às pessoas um “toque de recolher voluntário”, ao “evitar frequentar lugares superlotados e de participar de manifestações”.

Entre as medidas extraordinárias, válidas até dia 1.º, há restrição na circulação entre as cidades afetadas, fechamento de 5.500 escolas, além de creches, teatros, cinemas e museus. No domingo, 23, o chefe da região do Vêneto, Luca Zaia, suspendeu até o tradicional carnaval de Veneza.

No esperado desfile de Giorgio Armani em Milão, os modelos desfilaram na passarela excepcionalmente sem plateia – jornalistas e compradores puderam acompanhar o evento ao vivo, mas pelas redes sociais. 

Moradora do agitado Naviglio, bairro central de Milão, famoso por sua vida noturna e seus canais navegáveis, projetados por Leonardo da Vinci, Mari aliás se surpreendeu com a ausência de pedestres no local.

Segundo o motorista de Uber brasileiro Wenderson, há dois anos em Milão, o movimento caiu ao menos 40%. “Ninguém quer saber de sair de casa." Cenas como a de El Duomo e do Ópera alla Scala fechados, famosos pontos turísticos, começam a correr o mundo.

Curadora do Salão Satélite, mostra que ocorre paralelamente ao Salão do Móvel de Milão, Marva Griffin teve de rever seus planos de viagem. Com conferência confirmada para março, em São Paulo, ela cancelou seu compromisso. “Nossa diretoria proibiu qualquer deslocamento de nosso staff para o exterior até segunda ordem. Jamais vi situação como esta.”

“Se fala de tudo e de modo confuso: isolamento, fechamento de escolas, cinemas, teatros. Mas a cada nova notícia, o resultado é o mesmo, com as pessoas correndo para estocar comida”, conta o arquiteto brasileiro Gustavo Minosso, há 12 anos em Milão. Apesar de continuar a frequentar seu escritório normalmente, Minosso tem evitado lugares fechados. Até o momento, não vê motivos para pânico. “Existe muito alarmismo."

Morador da pequena Bergamo, a cerca de trinta quilômetros de Milão, o agente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Tomaso Raboni concorda com o arquiteto. Apesar da atmosfera geral na cidade ser de muita preocupação, com registro de desabastecimento generalizado, principalmente de álcool em gel, ele se mostra até otimista. “Acredito que a situação deve se estabilizar nos próximos dias. O vírus pode até se espalhar, mas apenas as pessoas debilitadas são mais vulneráveis."

Quem tem viagem marcada já revisa planos

Entre os brasileiros que pretendem se deslocar para Milão, ou arredores, nos próximos dias – e meses – a sensação geral é de espera. “Até o momento, não tivemos nenhum tipo de desistência”, diz a agente de viagens Simonetta Occhionero.

Um de seus clientes, no entanto, o empresário gaúcho Edson Busin, diretor de marketing da Dell Ano, já está revisando seus planos de viagem para o Salão do Móvel de Milão, marcado para abril. “Há seis meses programamos a viagem, mas na sexta faremos uma reunião final para decidir sobre nossa ida e, pelas notícias que temos até agora, a possibilidade de que ela não ocorra é bem grande.”

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Brasil vai monitorar passageiros vindos de Itália, França e Alemanha com sintomas de coronavírus

Norte de país europeu suspendeu eventos e até tradicional carnaval de Veneza; existe muito alarmismo, diz arquiteto

Marcelo Lima, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 05h01

Há três anos em Milão, o primeiro contato da jornalista brasileira Mari di Pilla com a situação de pânico por causa do novo coronavírus se deu na quinta-feira, 20, durante um desfile na semana de moda local. “Já se comentava bastante, mas ninguém ainda usava máscara. No dia seguinte, tudo mudou e o uso se generalizou. Até que no domingo dois desfiles importantes foram cancelados”, conta. No país europeu, já foram confirmadas sete mortes e há mais de 280 casos da doença

Um decreto do Ministério da Saúde, com disposições específicas e destinadas aos residentes da Lombardia, foco do surto em 11 cidades, cancela eventos e pede às pessoas um “toque de recolher voluntário”, ao “evitar frequentar lugares superlotados e de participar de manifestações”.

Entre as medidas extraordinárias, válidas até dia 1.º, há restrição na circulação entre as cidades afetadas, fechamento de 5.500 escolas, além de creches, teatros, cinemas e museus. No domingo, 23, o chefe da região do Vêneto, Luca Zaia, suspendeu até o tradicional carnaval de Veneza.

No esperado desfile de Giorgio Armani em Milão, os modelos desfilaram na passarela excepcionalmente sem plateia – jornalistas e compradores puderam acompanhar o evento ao vivo, mas pelas redes sociais. 

Moradora do agitado Naviglio, bairro central de Milão, famoso por sua vida noturna e seus canais navegáveis, projetados por Leonardo da Vinci, Mari aliás se surpreendeu com a ausência de pedestres no local.

Segundo o motorista de Uber brasileiro Wenderson, há dois anos em Milão, o movimento caiu ao menos 40%. “Ninguém quer saber de sair de casa." Cenas como a de El Duomo e do Ópera alla Scala fechados, famosos pontos turísticos, começam a correr o mundo.

Curadora do Salão Satélite, mostra que ocorre paralelamente ao Salão do Móvel de Milão, Marva Griffin teve de rever seus planos de viagem. Com conferência confirmada para março, em São Paulo, ela cancelou seu compromisso. “Nossa diretoria proibiu qualquer deslocamento de nosso staff para o exterior até segunda ordem. Jamais vi situação como esta.”

“Se fala de tudo e de modo confuso: isolamento, fechamento de escolas, cinemas, teatros. Mas a cada nova notícia, o resultado é o mesmo, com as pessoas correndo para estocar comida”, conta o arquiteto brasileiro Gustavo Minosso, há 12 anos em Milão. Apesar de continuar a frequentar seu escritório normalmente, Minosso tem evitado lugares fechados. Até o momento, não vê motivos para pânico. “Existe muito alarmismo."

Morador da pequena Bergamo, a cerca de trinta quilômetros de Milão, o agente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Tomaso Raboni concorda com o arquiteto. Apesar da atmosfera geral na cidade ser de muita preocupação, com registro de desabastecimento generalizado, principalmente de álcool em gel, ele se mostra até otimista. “Acredito que a situação deve se estabilizar nos próximos dias. O vírus pode até se espalhar, mas apenas as pessoas debilitadas são mais vulneráveis."

Quem tem viagem marcada já revisa planos

Entre os brasileiros que pretendem se deslocar para Milão, ou arredores, nos próximos dias – e meses – a sensação geral é de espera. “Até o momento, não tivemos nenhum tipo de desistência”, diz a agente de viagens Simonetta Occhionero.

Um de seus clientes, no entanto, o empresário gaúcho Edson Busin, diretor de marketing da Dell Ano, já está revisando seus planos de viagem para o Salão do Móvel de Milão, marcado para abril. “Há seis meses programamos a viagem, mas na sexta faremos uma reunião final para decidir sobre nossa ida e, pelas notícias que temos até agora, a possibilidade de que ela não ocorra é bem grande.”

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Incubação pode ser maior do que 14 dias e número de infectados no mundo aumenta

Coreia do Sul e Japão reportaram um grande aumento de casos no sábado, ao passo que, na China, mais 97 pessoas morreram, e uma quinta pessoa que contraiu o vírus morreu no Irã

Anna Fifield, Simon Denyer, Chico Harlan e Miriam Berger, Washington Post

24 de fevereiro de 2020 | 05h00

PEQUIM - Cientistas vêm analisando um caso na China de que o período de incubação do novo coronavírus deve ser maior do que os 14 dias que se acreditava até o momento, despertando dúvidas quanto aos atuais critérios de quarentena, em meio a esforços cada vez mais prementes para conter a propagação da epidemia da Ásia Oriental para o mundo.

Coreia do Sul e Japão reportaram um grande aumento de casos no sábado, ao passo que, na China, mais 97 pessoas morreram, e uma quinta pessoa que contraiu o vírus morreu no Irã. E no sábado também as autoridades italianas informaram que o país registrou um aumento repentino de casos, com 50 pessoas infectadas nos últimos dois dias – o maior surto da doença na Europa.

Ao mesmo tempo, cientistas na China afirmaram existir indicações de que o vírus pode ser transmitido através da urina. Uma equipe de especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) deveria chegar no sábado a Wuhan, epicentro da epidemia.

O diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou na sexta-feira a urgência de se conter a disseminação do coronavírus depois que casos foram reportados no Irã e no Líbano.

“Embora o tempo durante o qual temos chances esteja diminuindo para conter a epidemia ainda temos possibilidade de refreá-lo”, disse ele a jornalistas em Genebra. Se desperdiçarmos a oportunidade, então teremos um grave problema em mãos”.

O líder chinês Xi Jinping, que não visitou Wuhan desde que a epidemia eclodiu, afirmou que a situação na cidade e na província de Hubei “continua sombria e complexa”, de acordo com a agência oficial de notícias Xinhua.

“O ponto de inflexão da epidemia a nível nacional ainda não ocorreu” diz a notícia, veiculada depois de uma reunião de líderes do Partido Comunista.

A Comissão Nacional de Saúde da China informou no sábado que 397 novos casos de coronavírus foram diagnosticados na sexta-feira, elevando o total de enfermos para mais de 76 mil; a taxa de infecção fora de Hubei parece ter diminuído consideravelmente, embora houvesse muita confusão no tocante às estatísticas esta semana, uma vez que as autoridades por várias vezes mudaram os critérios para confirmação dos casos.

Entre os novos infectados estava um homem de 70 anos, em Hubei, que foi testado positivo para a doença depois de 27 dias em isolamento, ao passo que outro indivíduo na província de Jiangxi também testou positivo depois de 14 dias de quarentena centralizada e cinco dias de isolamento em casa. Na quinta-feira as autoridades informaram que um homem em Hubei havia contraído o coronavírus depois de um período de incubação de 38 dias sem apresentar nenhum sintoma.

Os Estados Unidos também estão às voltas com as consequências domésticas das suas respostas ao vírus. A cidade de Costa Mesa, na Califórnia, processou o governo federal pelo seu plano de transferir pacientes em quarentena do coronavírus da Travis Air Force Base, perto de Sacramento, para o Fairview Development Center. Segundo a cidade, a área em questão está cercada de bairros residenciais e manter os pacientes com uma doença extremamente contagiosa tão próximos implica um risco para a saúde pública.

Um juiz federal atendeu ao pedido do município na sexta-feira e bloqueou temporariamente a transferência dos 50 pacientes. A ordem restritiva proíbe as autoridades federais e estaduais de transportarem qualquer pessoa infectada com o coronavírus ou expostas à doença para Costa Mesa antes de uma audiência marcada para as 14 horas da segunda-feira no tribunal federal de Santa Ana, informou o Los Angeles Times.

Em Seul, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças da Coreia (KCDC), reportou no sábado que 229 novos casos foram detectados, elevando o total para 433, mais do que o dobro no espaço de um dia. A Coreia é assim o país mais afetado pela doença fora da China.

“Fora os casos no navio de cruzeiro Diamond Princess, a Coreia do Sul agora tem o maior número de casos fora da China e estamos trabalhando estreitamente com o governo para compreender totalmente a dinâmica de transmissão do vírus que levou a este aumento”, afirmou o diretor geral da OMS.

Muitos desses novos casos foram ligados a clusters existentes em uma igreja na cidade de Daegu, ao sul do país, e um hospital da localidade vizinha de Cheongdo, segundo o centro de prevenção e controle de doenças da Coreia.

O governo sul-coreano designou Daegu e a província ao norte de Gyeongsang “zonas de cuidados especiais”, onde os esforços para conter a doença e de suporte serão concentrados.

Mais da metade dos casos verificados na Coreia no Sul tem relação com a filial em Daegu da Igreja Shincheonji. Desde que os membros da igreja assistiram a um funeral em um hospital na vizinha Cheongdo Daenam, 111 casos de coronavírus foram reportados ali, incluindo dois pacientes que morreram em decorrência do vírus.

A infecção em massa no hospital está concentrada na sua ala psiquiátrica, onde um ambiente confinado deve ter agravado a transmissão do vírus, afirmou Jung Eun-Kyeong, diretor do KCDC.

Um homem de cerca de 40 anos foi encontrado morto em sua casa na cidade de Gyeongiu, a leste de Daegu, depois de contrair o vírus. Ele é a terceira pessoa a morrer por causa do coronavírus na Coreia do Sul.

No Japão houve também um aumento do número de casos, que subiu para 121, mais do que triplicando em uma semana. Nesse número não estão incluídas as pessoas a bordo do navio Diamond Express que contraíram o vírus.

Um dos casos mais recentes foi o de um professor em torno de 60 anos de idade de uma escola secundária pública a leste de Tóquio, que sentiu náuseas quando dava aula. O prefeito de Chiba anunciou que a escola ficará fechada até quarta-feira, informou a NHK.

O professor não viajou para o exterior nas últimas duas semanas e não há registros de que tenha tido contato com alguma pessoa infectada, ressaltando o fato de que o vírus agora vem se propagando de maneira invisível pelo país, afirmam especialistas.

*TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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