Novo diretor da ANS trabalhou para operadora de saúde

Elano Figueiredo tem negado o trabalho formal para a Hapvida, empresa que responde a diversos processos na ANS

Andreza Matais e Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2013 | 17h15

BRASÍLIA - O novo diretor da Agência Nacional de Saúde (ANS), Elano Figueiredo, trabalhou com carteira assinada para a Hapvida por quase dois anos. A operadora de planos de saúde informou ao Estado que ele exerceu o cargo de assessor jurídico, como celetista, entre outubro de 2008 a junho de 2010.

A versão da operadora contrasta com a apresentada por Figueiredo, que tem negado o trabalho formal para a Hapvida, empresa que responde a diversos processos na ANS que serão julgados na gestão do novo diretor. O ranking de reclamações a coloca em 18ª colocada como a operadora mais reclamada pelos usuários no país.

A nomeação de Figueiredo vem sendo contestada após o Estado revelar no último sábado que ele omitiu ao governo e ao Senado ter sido representante jurídico da Hapvida.

A presidente Dilma Rousseff determinou abertura de investigação no Conselho de Ética da Presidência da República para analisar a conduta de Figueiredo. O governo tem sido crítico a indicações políticas e de pessoas ligadas a empresas. No Senado, que sabatinou e aprovou a indicação (feita pelo governo) do novo diretor, congressistas já defendem que a nomeação seja revista, o que só pode ser feito por ato da presidente da República.

No currículo encaminhado ao governo, Figueiredo informa que, entre 2008 e 2010, trabalhou como advogado. Neste período, entretanto, segundo a Hapvida, ele foi funcionário formal da empresa. A operadora informou, ainda, que de 2001 a 2008 ele atuou para a operadora de forma independente.

"Informamos que o advogado Elano Figueiredo prestou serviços de assessoria jurídica em diferentes períodos entre 2001 a 2010...sendo que no período de 1º de outubro de 2008 a 18 de junho de 2010, atuou como assessor da área jurídica contratado pelo regime da CLT."

A ANS informou ao Estado na última sexta-feira, por meio de nota, que Figueiredo trabalhou para um escritório de advocacia que atendeu vários clientes e que não divulgou os nomes dos que o proibiram de fazê-lo. E não cita o trabalho formal para a Hapvida. "Os clientes do escritório de advocacia onde atuei não podem ser nominados um a um sem expressa autorização de todos...tenho documentos por escrito dessas empresas que me impedem, inclusive, de informar o nome delas no currículo público."

Procurado, Figueiredo disse que a ANS é quem irá apresentar sua defesa. A ANS disse que não comentaria mais o assunto.

O Estado apurou que Figueiredo foi indicado para a diretoria da ANS pelo líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), conterrâneo do diretor. A indicação e a nomeação dele ocorreram em seis dias. "Eu apoiei a indicação, mas não sou o padrinho", disse Eunício. "E ele cumpriu quarentena antes de assumir o cargo".

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