Leonardo Soares/AE
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Novo estudo contesta relação entre celular e câncer

Pesquisa acompanhou 350 mil pessoas por 18 anos; efeito em crianças ainda precisa ser investigado

Das agências de notícias,

21 de outubro de 2011 | 16h13

Londres - Embora alguns estudos tenham sugerido uma associação entre celular e câncer, uma nova pesquisa dinamarquesa não encontrou ligação entre o uso desses telefones  e o desenvolvimento de tumores no cérebro, afirmaram nesta sexta-feira, 21, os autores da pesquisa no site da revista "British Medical Journal" (BMJ, sigla em inglês).

 

Segundo o estudo, realizado no Instituto de Epidemiologia de Copenhague, os casos de câncer no sistema nervoso central eram os mesmos entre os indivíduos que usaram celular durante um longo período de tempo - mais de 10 anos - e os que nunca utilizaram esse aparelho.

 

Durante um período de 18 anos, os pesquisadores acompanharam de perto a saúde de 350 mil pessoas, entre elas usuários de celular e pessoas que nunca tiveram acesso ao aparelho.

 

Com os resultados, os especialistas afirmaram que não conseguiram detectar aumento do risco de desenvolver tumores no sistema nervoso central entre aqueles que usavam regularmente o celular.

 

Apesar da descoberta, os pesquisadores dinamarqueses ressaltaram que ainda é preciso estabelecer o efeito que o celular provoca nas crianças.

 

Segundo Hazel Nunn, porta-voz de assuntos de saúde da ONG britânica Cancer Research, "estes resultados são a maior prova de que o uso de celular não parece aumentar o risco de câncer no cérebro".

Para o professor Malcolm Sperrin, especialista do Hospital Royal Berkshire, próximo a Londres, essas conclusões "revelam claramente que não há risco de se desenvolver câncer no cérebro".

 

O National Cancer Institute, nos Estados Unidos, reforça que até hoje não há evidências científicas de que a radiação emitida pelos aparelhos cause câncer em tecidos da cabeça e do pescoço.

 

Embora alguns estudos tenham apontado uma associação estatística entre o uso do celular e tumores no cérebro, a maioria das pesquisas não comprovou essa relação. Entre os motivos para a discrepância nos resultados, os especialistas apontam desde o viés no perfil dos participantes dos estudos até a falta de precisão ao relatar o uso do aparelho e as mudanças na tecnologia e formas de uso.

 

Há outros estudos em andamento. Um deles, que começou na Europa em 2010, vai avaliar cerca de 250 mil usuários ao longo de 20 ou 30 anos.

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