Novo estudo contraria elo entre celular e câncer

Apesar das recentes iniciativas para classificar os telefones celulares como possivelmente cancerígenos, as evidências científicas cada vez mais afastam a possibilidade de um elo entre o uso dos aparelhos e tumores cerebrais, segundo um estudo a ser divulgado no sábado.

REUTERS

01 Julho 2011 | 20h49

Uma grande revisão de estudos anteriores, feita por um comitê de especialistas da Grã-Bretanha, Estados Unidos e Suécia, concluiu que não há evidência convincente de ligação com nenhum tipo de câncer.

O estudo notou também que não há mecanismos biológicos estabelecidos pelos quais os sinais de rádio usados nos celulares poderiam desencadear tumores.

"Embora reste alguma incerteza, a tendência pelo acúmulo de evidências é cada vez mais contra a hipótese de que o telefone celular possa causar tumores cerebrais em adultos", escreveram os especialistas na revista Environmental Health Perspectives.

Há dois meses, no entanto, a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (AIPC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), decidiu que o uso do telefone celular deveria ser classificado como "possivelmente cancerígeno para humanos."

Anthony Swerdlow, do Instituto Britânico de Pesquisa do Câncer, que comandou o novo estudo, disse à Reuters que as duas posições não são necessariamente contraditórias, já que a AIPC precisava colocar os celulares em uma categoria de risco pré-definida.

"Estamos tentando dizer em linguagem clara qual acreditamos que seja a relação. Eles (AIPC) estavam tentando classificar o risco segundo um sistema de classificação pré-estabelecido", disse Swerdlow.

Outras coisas qualificadas pelo AIPC como possivelmente cancerígenas incluem itens tão díspares quanto o chumbo, os picles e o café.

Há cerca de 5 bilhões de celulares em uso no mundo, e o maior estudo sobre sua correlação com o câncer, publicado no ano passado, examinou quase 13 mil usuários ao longo de dez anos.

Swerdlow e seus colegas disseram que esse estudo não apresentava uma resposta clara e tinha vários problemas metodológicos, pois se baseava em entrevistas, pedindo aos usuários que se lembrassem do uso dos aparelhos feito anos antes.

Os pesquisadores da nova revisão acrescentaram que outros estudos feitos em diversos países não indicaram aumento na incidência de tumores cerebrais depois de transcorridos 20 anos do lançamento dos celulares, e dez anos da sua popularização.

Para os cientistas, provar a ausência de correlação é sempre mais difícil do que provar sua existência, e Swerdlow disse que nos próximos anos deve ficar bem mais claro se existe ou não um vínculo entre celular e câncer.

(Reportagem de Ben Hirschler)

Mais conteúdo sobre:
CIENCIA CELULAR CANCER*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.