Novo exame melhora diagnóstico de HIV em países pobres

Cientistas desenvolveram um novo exame para o vírus causador da Aids dez vezes mais sensível e que custa uma fração dos métodos existentes, oferecendo a promessa de um melhor diagnóstico e tratamento nos países em desenvolvimento.

CHRIS WICKHAM, Reuters

28 Outubro 2012 | 17h57

O exame utiliza a nanotecnologia para dar um resultado que pode ser visto a olho nu, em que a amostra fica vermelha ou azul, de acordo com pesquisa de cientistas do Imperial College, em Londres, publicada na revista Nature Nanotechnology.

"Nossa abordagem oferece uma sensibilidade melhorada, não requer instrumentação sofisticada e é dez vezes mais barata", disse à Reuters Molly Stevens, que liderou a pesquisa.

Exames simples e rápidos para HIV que analisam a saliva já existem, mas eles podem apenas identificar o vírus quando atinge concentrações relativamente elevadas no corpo.

"Poderemos detectar a infecção até mesmo naqueles casos em que os métodos anteriores, como o teste de saliva, dão um 'falso negativo' porque a carga viral estava muito baixa para ser detectada", disse.

O exame também pode ser reconfigurado para detectar outras doenças, como septicemia, leishmaniose, tuberculose e malária, disse Stevens.

O exame não é fundamental apenas para detectar o HIV cedo, mas também para monitorar a eficácia de tratamentos.

"Infelizmente, os melhores métodos de detecção também podem ser muito caros para ser implementados em partes do mundo onde os recursos são escassos", disse Stevens.

De acordo com informações de 2010 da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 23 milhões de pessoas com HIV vivem na África Subsaariana, de um total de 34 milhões de pessoas infectadas no mundo.

O vírus também está se espalhando mais rápido e matando mais pessoas nessa parte do mundo. A África Subsaariana é responsável por 1,9 milhão de novos casos, de um total global de 2,7 milhões no mesmo ano, e de 1,2 milhão das 1,8 milhão de mortes.

O novo sensor funciona através do exame do soro, um fluído transparente e aquoso derivado de amostras de sangue, em um recipiente descartável, e busca a presença de um biomarcador de HIV, chamado p24.

Se o p24 estiver presente, mesmo em concentrações mínimas, ele faz com que as pequeníssimas nanopartículas douradas se aglutinem em um padrão irregular que torna a solução azul. Um resultado negativo as separa em forma de bolas, que geram a cor vermelha.

Os pesquisadores também utilizaram o exame para detectar o biomarcador para o câncer de próstata, chamado Antígeno Prostático Específico, que foi alvo de trabalhos anteriores que Stevens fez com colaboradores na Universidade de Vigo, na Espanha.

Stevens e seu colaborador no novo exame, Roberto de la Rica, disseram que pretendem procurar organizações globais de saúde sem fins lucrativos para ajuda-las a fabricar e distribuir o novo sensor em países de baixa renda.

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