Kirsty Wigglesworth/AP
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Novo gel pode acelerar a cicatrização de úlceras nas pernas, diz estudo britânico

Nexagon evitaria a produção de proteína que bloqueia a cura de feridas crônicas

AP

12 de agosto de 2010 | 16h47

LONDRES - Cientistas britânicos estão prestes a iniciar a fase final de testes de um novo gel que poderia curar úlceras nas pernas até cinco vezes mais rápido que o normal.

Durante três anos, a agente imobiliária de Tulsa, em Oklahoma (EUA), Connie McPherson sofreu de úlceras de perna que eram tão dolorosas que, às vezes, não conseguia dormir. Apesar de várias cirurgias, antibióticos, esteroides e outros tratamentos, nada resolveu.

Então, no ano passado ela participou de um teste do novo gel destinado ao tratamento de feridas crônicas. "Foi a resposta às minhas orações", disse Connie, de 58 anos. Em poucas semanas, segundo ela, as úlceras foram curadas por completo. "Eu tinha tentado de tudo e isso foi a única coisa que funcionou."

O gel usado para atender a americana foi desenvolvido por uma equipe liderada por David Becker, professor de biologia celular e de desenvolvimento da Universidade College de Londres. O gel, chamado de Nexagon, funciona ao interromper a maneira com que as células se comunicam e evita a produção de uma proteína que bloqueia a cura. Isso permite que as células se movam mais rapidamente em direção à ferida para começar a tratá-la.

Embora o gel só tenha sido testado até agora em cerca de 100 pessoas, os especialistas dizem que, se for bem sucedido, o gel desempenharia um papel importante no tratamento de feridas crônicas, como úlceras nas pernas ou diabete, além de lesões comuns ou causadas por acidentes.

Na maioria das feridas crônicas, segundo Becker, há uma quantidade anormal de proteínas ligadas à inflamação. Para reduzir essa quantidade, ele e seus colegas produziram o Nexagon a partir de partes de DNA que podem bloquear a produção dessa proteína. "Como ela é desativada, as células se movem para fechar a ferida", disse. O gel é ligeiramente amarelado e tem a consistência de uma pasta de dentes.

Em um estudo inicial sobre úlceras nas pernas, os cientistas da empresa que Becker ajudou a fundar para desenvolver o gel descobriram que, após quatro semanas, o número de pacientes com úlceras que foram completamente curados foi 5 vezes maior entre os que receberam o gel.

A úlcera na perna leva em média 6 meses para cicatrizar, e 60% dos pacientes voltam a sofrer com o problema. Outros especialistas disseram que o gel parece promissor. "Parece que ele tem um efeito positivo na restauração da camada externa da pele", afirmou Phil Stephens, chefe de engenharia e reparação de tecidos da Universidade de Cardiff, no País de Gales. Stephens não participou da pesquisa de Becker.

No entanto, Stephens disse que é crucial que o gel não interfira muito no processo de inflamação. "É preciso que as células inflamatórias cheguem ali e limpem a ferida'', disse.

Brad Duft, presidente da companhia farmacêutica Coda Therapeutics, que desenvolve o produto, afirmou que ainda deve levar alguns anos até que o novo gel chegue ao mercado e, quando isso acontecer, o preço do produto cairá significativamente. Alguns pacientes com úlcera nas pernas gastam cerca de US$ 30 mil por ano ou mais em tratamentos. Duft disse que o custo de um novo gel seria uma fração desse valor.

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