Novo instrumento para examinar visão pode detectar diabetes

Aparelho captura imagens do olho para detectar o estresse metabólico e o dano a tecidos conseqüentes

Efe

14 de julho de 2008 | 20h56

Um novo instrumento para examinar a visão poderia ajudar os médicos a detectar a diabetes em sua fase inicial, o que facilitaria o tratamento para evitar os problemas de vista provocados pela doença, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira, 14. O aparelho, desenvolvido por dois cientistas do Centro Ocular Kellog da Universidade de Michigan, captura imagens do olho para detectar o estresse metabólico e o dano a tecidos conseqüentes, de forma que seja possível verificar os primeiros estágios da diabetes. Os professores Víctor Elner e Howard R. Petty explicam o estudo que fizeram com este novo instrumento na edição de julho da revista Archives of Ophtalmology. O instrumento tira uma fotografia especializada do olho e analisa o estresse metabólico da retina, medindo a intensidade da fluorescência celular no tecido. Segundo explicaram os cientistas, os altos níveis da autofluorescência de flavoproteína (AF) atuam como um indicador da doença ocular. Elner e Petty mediram os níveis de AF no tecido da retina de 21 indivíduos que tinham diabetes e os compararam com os resultados de pessoas saudáveis em grupos da mesma idade. Na análise dos resultados, advertiram de que a atividade de AF era significativamente mais alta para os indivíduos com diabetes, independentemente da gravidade, que a dos que não a tinham. Segundo Petty, sabe-se que a hiperglicemia - ou alto nível de açúcar no sangue - induz à morte das células no tecido diabético pouco depois do início da doença, mas antes que os sintomas possam ser detectados clinicamente. "A atividade aumentada da AF é o indicador mais rápido de que ocorreu morte de células e que o tecido começa a se deteriorar", afirmou. A AF, explicou, funciona como um biomarcador espectral, que informa que o metabolismo se transtornou, assim "os resultados obtidos podem ser usados na detecção e observação da doença". O professor Elner afirmou que é grande o dano que ocorre antes que um médico possa detectar a doença, por isso o diagnóstico precoce "permitirá reduzir os danos aos órgãos e prevenir muitas complicações que acompanham" a diabetes. Nos Estados Unidos, cerca de 24 milhões de pessoas sofrem de diabetes e outras 57 milhões têm níveis anormais de açúcar no sangue - os chamados pré-diabéticos -, segundo o relatório mais recente dos Centros para o Controle e Prevenção das Doenças. Além disso, 4,1 milhões de pessoas com 40 anos sofrem de retinopatia diabética, uma complicação ocular relacionada com a diabetes que é a causa principal de cegueira entre os adultos em idade de trabalho.

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