FOTO: FELIPE RAU/ESTADAO
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Novo rodízio em SP não deve ser única medida para aumentar isolamento, dizem especialistas

Estudiosos de mobilidade urbana também questionam a exclusão de motocicletas e taxistas no rodízio

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2020 | 05h00

O novo rodízio que será implementado em São Paulo a partir de segunda-feira não deverá ser a única medida para tentar elevar os índices de isolamento social. Outras iniciativas, como a regularização dos pagamentos do auxílio emergencial, precisam estimular as pessoas a ficarem em casa. Essa é a opinião de especialistas sobre as novas medidas apresentadas pela Prefeitura. Estudiosos de mobilidade urbana também questionam a exclusão de motocicletas e taxistas no rodízio.

A cientista política Carolina Requena argumenta que a ampliação do rodízio deve estar inserida em um conjunto de ações. “As políticas de proteção da renda, como o pagamento do auxílio emergencial, devem ser um convencimento a mais para as pessoas ficarem em casa. Mas essas políticas não estão funcionando maneira efetiva”, diz a pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole (Cem) e da Rede de Políticas Públicas & Sociedade, ambos ligados à Universidade de São Paulo. “As pessoas estão saindo às ruas e criando uma situação de risco. Tem de haver um incentivo de várias partes”, completa a especialista.

Luiz Vicente Figueira de Mello Filho, especialista em mobilidade urbana, observa que algumas categorias profissionais que estão na linha de frente, mas que não possuem as isenções como os profissionais de saúde, terão de recorrer ao transporte público. É o caso, por exemplo, de profissionais das áreas de segurança e alimentação. “A Prefeitura promete aumentar a oferta de ônibus, mas o transporte público só perde para os hospitais no risco de contaminação. Por um lado, temos medidas positivas e rápidas no sentido de diminuir a mobilidade das pessoas. Por outro, estamos desfavorecendo as pessoas que têm menor renda familiar e precisam utilizar o transporte público”, avalia.

Gustavo Partezani Rodrigues, professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Judas, afirma que é preciso pelo menos uma semana para “que os impactos sejam verificados com exatidão”.

O prazo de dez dias para o cadastro de profissionais de saúde também já preocupa. “Eles estão sob pressão, têm de cuidar de pacientes graves. Não sei como vai funcionar a prática desse cadastro”, diz Paulo Olzon, clínico e infectologista da Unifesp. O médico Marcus Yu Bin Pai, especialista em dor e acupuntura, aprova o formato, mas também acha o tempo curto para cadastramento. “Imagino que irá haver um alto volume de solicitações de isenções.”

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