Novo tratamento para vitiligo é menos agressivo

Doença auto-imune, caracterizada pela despigmentação da pele, o vitiligo está sendo tratado por meio de uma terapia ainda pouco conhecida, que dispensa o uso de medicação associada, reduzindo, assim, os efeitos colaterais e possibilitando a aplicação em crianças e gestantes, restrição imposta pela técnica de fototerapia tradicional. O método, que consiste em um banho de luz ultravioleta B narrow band (banda de baixa freqüência), traz ainda outro benefício: atua diretamente na área afetada. Ao liberar o paciente do uso de uma droga oral, usada na terapia com raios ultravioleta A, conhecida como PUVA, o tratamento com UVB narrow band torna-se também mais prático, observa o especialista Absalom Filgueira, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Dermatologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). ?É mais fácil porque a pessoa não precisa mais tomar o medicamento fotossensibilizante duas horas antes da sessão. E, depois, os cuidados exigidos com o sol são menores?, explica. A técnica será debatida durante o 14º Congresso Científico Internacional de Estética, em agosto, no Rio. Segundo Filgueira, a luz atua destruindo as células de defesa (linfócitos) anormais, que, embora tenham como função atacar somente os agentes externos, acabam agredindo também elementos do organismo do paciente. ?No caso do vitiligo, eles atacam os melanócitos (células que produzem a melanina, responsáveis pela pigmentação da pele)?, detalha o coordenador, acrescentando que a doença atinge atualmente cerca de 1% da população. A atuação localizada do tratamento, ressalta o especialista, reduz os riscos inerentes da exposição à radiação ultravioleta, como, por exemplo, o surgimento de mutações genéticas em pessoas que já possuem predisposição para câncer. ?É um método que pode ser usado também para a psoríase (doença de pele) e para linfomas cutâneos (um tipo de neoplasia)?, diz Filgueira. O sucesso da fototerapia com UVB narrow band fica em torno dos 75%. Quinze anos depois de receber o diagnóstico de vitiligo, a funcionária pública Ilma Pinto de Assumpção, de 61 anos, diz já ter tentado de tudo para reduzir o problema estético provocado pelas manchas brancas espalhadas pelo corpo. ?Vitiligo não coça, não dói, não tem qualquer outro sintoma, com exceção da questão estética, que incomoda muitíssimo. Por isso já procurei vários tratamentos. Até agora, o melhor foi o narrow band. Tem momentos em que funciona bem. Em outros, quando estou estressada, o resultado não é tão bom.? Apesar dos altos e baixos, Ilma deixa claro que está satisfeita. ?Não sinto mais os enjôos causados pela medicação oral exigida pela terapia antiga (PUVA)?, diz, contando ter interrompido as sessões por causa da morte da mãe, que a deixou muito abalada. ?Não ia surtir muito efeito?, diz. De acordo com o especialista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a repigmentação da área tratada é menor nos casos em que o paciente está estressado, por causa da estreita associação, já comprovada cientificamente, entre o sistema nervoso e o sistema imunológico.

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