Novo vírus não tem grande potencial epidêmico, segundo especialistas

Desde setembro do ano passado, houve 11 casos confirmados, cinco pessoas morreram

Mariana Lenharo - O Estado de S. Paulo,

14 de fevereiro de 2013 | 17h28

O novo coronavírus, que provoca doença respiratória aguda e que foi identificado pela primeira vez em setembro do ano passado, permanece uma grande interrogação para pesquisadores e autoridades de saúde de todo o mundo. Mas o baixo número de infecções pelo vírus - que é da mesma família do que provocou a morte de cerca de 800 pessoas em 2003 com a síndrome respiratória aguda grave (Sars) - permite inferir que ele não tem um potencial epidêmico muito agressivo.

Autoridades de saúde do Reino Unido divulgaram que existe forte evidência de transmissão de pessoa para pessoa do novo vírus. Desde setembro, houve 11 casos confirmados, entre os quais 5 pacientes morreram: três na Arábia Saudita e dois na Jordânia.

Na Inglaterra, foram três casos. O primeiro paciente havia visitado o Catar e segundo havia viajado para o Paquistão e para países do Oriente Médio. O terceiro paciente foi infectado pelo pai dentro da própria Inglaterra. "Esta cepa específica de coronavírus não havia sido identificada anteriormente em humanos. Existe informação limitada sobre transmissão, gravidade e impacto clínico, com apenas um número pequeno de casos reportados até agora", afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O órgão esclarece que "os coronavírus são uma grande família de vírus que podem causar uma grande variedade de doenças em humanos, desde a gripe comum até a Sars".

De acordo com o infectologista Renato Grinbaum, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, os coronavírus são vírus respiratórios que em geral têm menos propensão de provocar uma pandemia do que o vírus influenza. "Os primeiros casos da gripe suína, por exemplo, ocorreram no final de abril de 2009 no México. Em dois meses, a pandemia se estendia a mais de 50 países. Este novo coronavírus não está se disseminando de forma rápida."

Quanto à letalidade alta do vírus, que matou 45,4% dos casos identificados, Grinbaum afirma que esse índice alto também se deve ao fato de que somente os casos mais graves são diagnosticados.

Na avaliação do infectologista Hélio Vasconcellos Lopes, professor da disciplina de Infectologia da Faculdade de Medicina do ABC, o vírus tanto pode esgotar-se espontaneamente depois de mais alguns casos, como pode ir se expandindo gradativamente. "É preciso esperar. A própria OMS admite que esse vírus, até o momento, traz um perigo de disseminação baixo. A previsão da OMS é altamente favorável, mas não é uma colocação definitiva."

As medidas de prevenção, diz Grinbaum, são idênticas para todas as infecções por vírus respiratórios: evitar aglomerados de pessoas, fazer a higienização das mãos com frequência. Para quem está doente, o ideal é ficar em casa. "Neste momento, não há qualquer indício de ser uma epidemia."

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